2.10 Avaria no casco

Avaria no casco


1. OBJECTIVO

Descrição da actuação em situações de avaria no casco

2. ÂMBITO

Todos os navios

3. EXCEPÇÕES

Nenhumas

4. DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA

– Sopep

5. RESPONSABILIDADE

O Oficial Chefe de Quarto é responsável em qualquer momento pela segurança do navio, da sua tripulação e do meio ambiente. Logo que surja qualquer avaria tomará de imediato as medidas que julgar oportunas para enfrentar a situação e avisará imediatamente o Comandante.

O Oficial Chefe de Quarto continuará responsável pela segurança da navegação do navio não obstante a pre-sença do Comandante a não ser que este lhe tenha ex-pressamente comunicado que toma esse encargo.

6. DESCRIÇÃO

6.1 – Geral

Quando ocorrer uma avaria no casco o Oficial de Quar-to actuará imediatamente de acordo com as circuns-tâncias existentes:

• paragem de todas as operações que se estão a reali-zar e fecho de todas as válvulas/aberturas dos tan-ques

• soar o alarme geral de emergência para a reunião dos tripulantes

• avisar o Comandante

6.2 – Tripulação

Os tripulantes, alertados pelo alarme geral de emer-gência dirigir-se-ão imediatamente aos respectivos pontos de reunião. Nos pontos de reunião os chefes de grupo receberão informações da situação tendo que agir em conformidade com a mesma.

6.3 – Avaliação da situação

O Comandante dirigir-se-à para a ponte onde o Oficial de quarto o porá ao corrente da situação tomando de seguida o comando de todas as operações.

A primeira preocupação deverá ser determinar se o navio corre perigo de se afundar e/ou virar. Em caso afirmativo deverá:

• preparar os meios de abandono;

• emitir mensagem de socorro;

• tentar avisar as autoridades.

Caso não exista uma situação tão grave, deverão ser tomadas medidas para eliminar ou limitar a avaria:

• localização e dimensão da avaria. Sondagem de todos os tanques de carga e bancas;

• avaliação da possibilidade de transfega interna de carga e seus efeitos, quer na redução/eliminação da poluição, quer na estabilidade/esforços de casco;

• avaliação do eventual benefício de introdução de água no tanque em que se localiza a avaria;

• avaliação da necessidade de auxílio exterior para transfega para outra embarcação (se praticável);

Além das medidas enunciadas anteriormente e que se destinam essencialmente a tentar reduzir/eliminar poluição, outras deverão ser tomadas relativamente à segurança do navio:

• orientar o navio de modo que os gases libertados não atinjam os alojamentos e casa da máquina

• não proceder à abertura indiscriminada das escoti-lhas de tanques ou de outras aberturas

• obtenção de boletins meteorológicos para perma-nente avaliação das condições de tempo e mar

• avaliação dos perigos (presentes e futuros) a que o navio está sujeito tendo em consideração:

• proximidade do navio a terra ou águas pouco profundas

• navegação existente na zona

• possibilidade de fundear em segurança

• distância ao porto mais próximo

Na posse destes elementos, e feita uma cuidadosa ava-liação da situação, o Comandante estará em condições de tomar as medidas que as circunstâncias e/ou a sua experiência aconselhem.

Antes de tomar qualquer iniciativa, o Comandante deverá avaliar os efeitos na estabilidade/esforços do navio. Se as avarias encontradas forem graves e os mei-os de bordo insuficientes para o cálculo das condições de estabilidade e esforços de casco, o Comandante de-verá seguir os procedimentos mencionados no SOPEP – CAPÍTULO 2 – PARÁGRAFO 2.4 – AJUDAS NO CÁL-CULO DAS CONDIÇÕES DE ESTABILIDADE.

6.4 – Comunicações

Seguir-se-ão os procedimentos mencionados no SO-PEP – CAPÍTULO 2

• PARÁGRAFO 2.1 – QUANDO PARTICIPAR,

• PARÁGRAFO 2.2 – ELEMENTOS DA PARTICIPA-ÇÃO E MODELO DE PARTICIPAÇÃO e

• PARÁGRAFO 2.3 – A QUEM PARTICIPAR

6.5 – Salvação e assistência

Uma vez que o Comandante tenha tomado a decisão de pedir assistência, deverá seguir os procedimentos para SALVAÇÃO E ASSISTÊNCIA que fazem parte deste Manual.

6.6 – Registos

Competirá ao Oficial de quarto fazer um registo deta-lhado dos acontecimentos relacionados com a ocorrên-cia. O registo será feito no Diário de Navegação e de acordo com o indicado no Manual de Navegação e Operação de Carga – Secção 2.1 Ponto 6.1, e deverá conter, entre outros, os seguintes elementos:

• hora e posição da ocorrência;

• condições meteorológicas;

• detalhes das comunicações trocadas entre navios e/ou outras entidades.

6.7 – Check Lists

O “CHECK LIST” PARA SITUAÇÃO DE EMERGÊN-CIA – AVARIA NO CASCO, que faz parte deste Manual, será sempre usado nesta eventualidade.

6.8 – Avaria no casco em navios LPG

Quando ocorre uma avaria no casco de um navio LPG, normalmente, a não ser em casos em que são atingidos os tanques de bancas, esse incidente não dará origem a derrame mas sim a entrada de água num porão. Os porões dos navios LPG estão dotados com sistemas de detecção de água. Quando o sistema alarmar, o Oficial de quarto deverá:

• avisar imediatamente o Imediato do sucedido;

• avisar a casa da máquina e o convés da existência de água no porão e da necessidade de iniciar o esgoto.

O Imediato determinará a quantidade de água existen-te no espaço e procurará determinar a sua origem.

Para a determinação da quantidade de água existente não se deve nunca começar por abrir as esco-tilhas de acesso ao espaço, para evitar uma even-tual perda de flutuabilidade no caso de uma grande avaria. Utilizar-se-ão apenas os tubos de sondagem com o máximo cuidado.

Determinada a quantidade de água existente (que po-derá ser proveniente das condensações do porão no poço de esgoto), o Imediato e o Comandante tentarão determinar a sua a origem. Deverão:

• voltar a fazer nova sondagem num espaço de tempo determinado para cálculo do caudal de água;

• avaliar se a capacidade de esgoto do espaço é supe-rior ou inferior à quantidade de água que entra,

para então decidirem quais as medidas a tomar e que passarão essencialmente por:

• se a capacidade de esgoto for superior à entrada da água então poder-se-á abrir a escotilha e procurar ir ao espaço verificar o que se passa e tentar reparar a avaria, mas avaliando sempre previamente se o caudal não será reduzido precisamente pelo facto de a escotilha se encontrar fechada;

• se a capacidade de esgoto for inferior e a água tiver sempre tendência em ir aumentando então procu-rar-se-á manter o espaço isolado fechando tudo o que puder ser fechado, para assim impedir ao má-ximo a entrada de água (pela saída de ar) mantendo a maior flutuabilidade possível.

Qualquer uma destas situações normalmente não evo-luem de maneira a que possam ser consideradas situa-ções de risco iminente pelo que deverão ser tratadas sem precipitações fazendo sempre uma criteriosa ava-liação de toda e qualquer acção antes de a adoptar.

 


ERSH_2.10-MdC.doc


LISTA DE DISTRIBUIÇÃO
Navio / Direcções Técnica / Segurança / Operações / Pessoal /Segurança (Protecção) / Responsável Nomeado / Online