2.07 Técnicas de sobrevivência em baleeiras e jangadas

Técnicas de sobrevivência em baleeiras e jangadas


  1. OBJECTIVO

Descrição dos procedimentos de emergência quando em permanência numa embarcação salvavidas (baleeira ou jangada pneumática)

  1. ÂMBITO

Todos os navios

  1. EXCEPÇÕES

Nenhumas

  1. DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA

Lifeboat Survival Manual

Survival at Sea. The lifeboat and liferaft

  1. RESPONSABILIDADE

É responsabilidade do Comandante da embarcação salvavidas manter a disciplina, determinar as tarefas e procurar manter o moral elevado.

Na falta do Comandante da baleeira e não havendo um substituto já indicado no Rol de Chamada, assumirá estas funções o tripulante presente hierarquicamente superior.

  1. DESCRIÇÃO

6.1 – Geral

Sobrevivência define-se como o primeiro estado para continuar a viver preservando a vida humana contra qualquer perigo imediato a curto ou médio prazo.

No mar esses perigos são a desidratação, sede, fome, calor ou frio excessivos, afogamento e processos patológicos de saúde de ordem física ou mental.

A sobrevivência no mar depende essencialmente de:

  • conhecimentos;
  • equipamento em boas condições de manutenção;
  • manter a calma em todas as situações;
  • 6.1.1 – Desidratação
  • Sendo a provisão de água a bordo das embarcações salvavidas limitada, esta deve ser usada com o maior cuidado. Para combater a desidratação devem ser tomadas as seguintes precauções:
  • humedecer as roupas com água do mar durante as horas mais quentes do dia, que no entanto deverão ser mantidas secas durantea noite;
  • não tomar banho em zonas quentes (o banho provoca uma reacção interna de calor com a consequente transpiração);
  • nunca beber água salgada;
  • procurar recolher e armazenar, por intermédio de capas, lonas ou velas, a água das chuvas ou de condensações, lavando-as previamente com água do mar, no caso de se encontrarem com sal cristalizado.
  • No interior de uma jangada podem ocorrer condensações que embora limitadas podem ser fonte de abastecimento de água. Para isso deverá existir uma esponja limpa e livre de sal para poder recolher esta condensação.
  • Se houver excesso de água da chuva usar esta em primeiro lugar deixando a água armazenada para depois.
  • Durante as primeiras 24 horas não deverão ser distribuidos alimentos ou água, excepto a feridos em estado de consciência. Após este período iniciar-se-à uma distribuição diária de 60 centilitros dividida por 3 vezes (o número de distribuições que haverá por dia). A ração de água deve ser bebida lentamente molhando os lábios antes de a engolir, para assim se obter o máximo proveito.
  • 6.1.2 – Fome
  • Se não houver água não deverão ser ingeridos alimentos.
  • As rações de emergência existentes a bordo são uma dieta adequada à necessidade limitada de água sendo ricas em hidratos de carbono e pobres em proteinas, fornecendo o máximo de calorias com um mínimo de esforço para os rins, sendo especialmente preparadas para não provocarem a sede. Devem ser fornecidas ao mesmo tempo do que a ração de água.
  • 6.1.3 – Frio
  • Os náufragos deverão envergar o máximo possível de roupa quando do abandono do navio.
  • Uma imersão brusca em águas frias causa uma aguda e intensa contracção dos vasos sanguíneos, aumento dos limites da pressão arterial e uma resposta cardíaca.
  • Deve-se tentar sempre tudo para sair da água o mais rápido possível. Um corpo imerso arrefece 5 a 6 vezes mais depressa do que estando exposto ao ar, mesmo que com vento fresco.
  • 6.2 – Sobrevivência a bordo
  • É fundamental conservar a calma e a serenidade já que a sobrevivência dependerá em grande parte da ordem e da organização.
  • Se os tripulantes conseguirem atingir as embarcações salvavidas, as suas possibilidades de sobrevivência estarão em grande parte garantidas pelo equipamento existente, onde se incluem meios de comunicação.
  • Ao Comandante da embarcação competirá:
  • dirigir os tripulantes de uma maneira segura, mantendo a disciplina a bordo;
  • elevar-lhes a moral;
  • organizar a vida a bordo distribuindo tarefas
  • A distribuição das tarefas a bordo poderá ser feita em 4 grupos:
  • vigilância exterior;
  • vigilância interior;
  • manutenção;
  • distribuição de alimentos e bebidas
  • Na vigilância exterior deverá ser prestada atenção à situação de outras embarcações, às condições atmosféricas, ao estado das âncoras flutuantes
  • Na vigilância interior os tripulantes designados ocupar-se-ão na verificação da estanquicidade e na preparação e conservação das melhores condições de habitabilidade  das embarcações, colocação de toldos e esgoto de águas nas baleeiras, secagem do fundo das balsas, insuflação do fundo para que o contacto com a água fria seja menor, verificação da existência de qualquer entrada de água e verificação de qualquer perda de ar das câmaras de flutuação.
  • Aos tripulantes destacados para a manutenção caberá a reparação de qualquer avaria que possa ocorrer nas embarcações, a preparação do que for necessário para a recepção de água, quer proveniente das chuvas ou de condensações, e o manuseamento do emissor de emergência das embarcações salva-vidas.
  • Ao grupo encarregado da distribuição de alimentos e bebidas caberá, além da função que está implicita na sua designação, o tratamento de feridos e doentes. A sua primeira tarefa será a da distribuição de comprimidos e sacos de plástico para o enjoo. O enjoo origina uma grande perda de de fluídos incapacitando os náufragos.
  • Na distribuição de alimentos e bebidas deve ser tido em consideração o que foi escrito em 6.1.1 – Desidratação.
  • Se os socorros tardarem em chegar, acima de tudo é essencial manter elevado o moral e fazer com que os sobreviventes nunca percam a esperança de serem salvos.


    SM_2.07-MdC.doc


    LISTA DE DISTRIBUIÇÃO
    Navio / Direcções Técnica / Segurança / Operações / Pessoal /Segurança (Protecção) / Responsável Nomeado / Online