
BUSCA E SALVAMENTO

SECÇÃO 7
7.1 GERAL
A finalidade deste capítulo é dar indicações a todos os que necessitarem de recorrer ou prestar assistência em situações de emergência no mar.
O que aqui se escrever é meramente indicativo, pelo que os responsáveis de bordo deverão ler atentamente as seguintes publicações:
-
- IMO 960 E – IAMSAR Vol. I – Organization and Management
- IMO 960 E – IAMSAR Vol. II – Mission Coordination
- IMO 960 E – IAMSAR Vol. III – Mobile Facilities
- TRANSMISSÕES DE EMERGÊNCIA
7.2.1 – OBJECTIVO
Descrever os procedimentos relativos à transmissão de mensagens de emergência no âmbito do sistema GMDSS (Global Maritime Distress and Safety System).
7.2.2 – RESPONSABILIDADE
O Mestre / Comandante é o único responsável pela autorização do envio de mensagens de emergência.
O envio das mensagens de emergência caberá ao Tripulante designado antecipadamente pelo Mestre / Comandante para desempenhar essas funções, que estará habilitado para tal de acordo com a SOLAS e o STCW e mencionado no ROL de CHAMADA
7.2.3. – DESCRIÇÃO
7.2.3.1 – Geral
Os procedimentos a seguir descritos referem-se a navios dotados de uma estação de GMDSS.
7.2.3.2 – Quais as principais funções do GMDSS?
-
- Emitir alertas de socorro (navio-terra) com utilização de pelo menos, dois meios distintos e independentes usando, cada um, serviço de radiocomunicações diferentes.
- Receber alertas de socorro no sentido (terra-navio).
- Transmitir e receber alertas de socorro no sentido (navio-navio).
- Transmitir e receber comunicações de coordenação das operações de busca e salvamento.
- Transmitir e receber comunicações na área do acidente (VHF portáteis).
- Transmitir e receber sinais destinados à localização (SART).
- Transmitir e receber informações de segurança marítima (Navtex HF).
- Transmitir e receber radiocomunicações gerais (correspondência pública / rotina).
- Transmitir e receber comunicações ponte-a-ponte (navio-navio) ex: segurança ch 13.
7.2.3.3 – Qual o conceito básico do GMDSS?
Emitir alertas de socorro que podem ser de 3 tipos:
-
- Navio-navio
- Navio-terra
- Terra-navio
SOS / SES → CRS → RCC → SAR → através/trough DSC
SES – Estação terrestre de navio
CRS – Estação costeira de radiocomunicações
RCC – Coordenação de busca e salvamento
SAR – Busca e salvamento (autoridades coordenadoras nacionais e locais)
DSC – Chamada selectiva digital
GMDSS – Comunicações terrestres DSC / MF / HF / VHF (Fonia – Telex)
GMDSS – Comunicações satélite – Inmarsat (accionar 5” o botão e/ou enviar mensagem programada)
GMDSS – Comunicações satélite – Cospas/Sarsat (Epirb)
O ALERTA DE SOCORRO POR VIA TERRESTRE É SEMPRE FEITO EM DSC
7.2.3.4 – O que é o DSC?
DSC significa, chamada selectiva digital, que é feita nas seguintes frequências:
VHF – Canal 70
MF – Frequência média (2187,5 KHz)
HF – Alta frequência (4207,5; 6312; 8414,5; 12577; 16804,5 KHz).
7.2.3.5 – Para que serve o DSC?
-
- Transmissão de alertas de socorro de navios.
- Transmissão dos recebidos de alertas de socorro.
- Retransmissão de alertas de socorro ( Relay ).
- Transmissão de anúncios de mensagens de urgência e segurança.
- Escuta contínua na frequência ou frequências de socorro.
7.2.3.5 – Em que consiste a chamada selectiva digital?
-
- Num pacote de informação digital.
Em quatro possíveis prioridades:
-
- Socorro
- Urgência
- Segurança
- Rotina
No envio de mensagens endereçadas a todas as estações, a um grupo de estações ou apenas a uma estação.
(cada estação possui pelo menos 1 código de identificação de chamada selectiva com 9 algarismos designada MMSI – Maritime Mobile and selection – Call identity).
7.2.3.6 – Áreas geográficas / Alertas de socorro
As áreas estão definidas como:
-
- A1 – até às 30 milhas
- A2 – área fora da A1 até ao limite de 200 milhas
- A3 – área excluída da área A1 e A2
- A4 – área fora da A1; A2; A3 e dentro das áreas acima do paralelo 75º N e 75º S
Os navios navegando na área A1, transmitem os alertas navio-navio e navio-terra na frequência 156,525 (canal 70) em VHF, pelo sistema DSC.
Navios navegando na área A2, transmitem o alerta navio-navio e navio-terra na frequência 2187,5 KHz.
Os navios navegando nas áreas A3 e A4, transmitem o alerta navio-navio na frequência 2187,5 KHz. O alerta navio-terra na área A3 é feito via satélite pela estação terrena do navio e / ou nas frequências de HF em DSC.
Na área A4, o alerta é sempre feito nas frequências de HF em DSC.
OBS: As frequências de escuta/transmissão em DSC (MF/HF) são importantes conforme a hora do dia e posição geográfica do navio, bem como a época do ano.
7.2.3.7 – Transmissão do alerta de socorro em DSC
Consoante a área onde o navio se encontre, o alerta de socorro em DSC deve ser transmitido da seguinte forma:
Sintonizar o transmissor para o canal de socorro em DSC.
Se tiver tempo, deve ser introduzido na mensagem de socorro e de acordo com as instruções do fabricante do equipamento de DSC os seguintes elementos:
a) A causa do acidente.
b) A última posição conhecida do navio (latitude e longitude).
c) O tempo (UTC) de validação da última posição.
d) O tipo de comunicação escolhida para o tráfego de socorro (radiotelefonia ou radiotelex).
e) Transmitir o alerta de socorro em DSC
f) Preparar-se para o tráfego de socorro seguintes, sintonizando o emissor e receptor de rádio para o canal de socorro referente à mesma banda, enquanto se espera pela confirmação do recebido do alerta de socorro em DSC.
Exemplo:
-
- alerta em 2187,5 KHz (MF) => 2182 KHz
- alerta canal 70 (VHF) => canal 16
Este alerta será repetido automaticamente e aproximadamente todos os 4 minutos até que seja recebida a confirmação do recebido por outra estação ou quando seja desligado manualmente pela estação emissora.
7.2.3.8 – Tráfego de socorro
Quando receber a confirmação de recebido ao alerta de socorro em DSC, o navio em perigo deve iniciar o tráfego de socorro em radiotelefonia na frequência 2182 KHz em MF ou no canal 16 em VHF, da seguinte forma:
-
- “ Mayday “
- Aqui (This is)
- Os 9 dígitos de identificação e o indicativo de chamada ou outra identificação do navio
- A posição do navio se não foi incluída na mensagem de socorro em DSC
- A causa do acidente e a assistência requerida
- Qualquer outra informação que possa facilitar a busca e o salvamento
7.2.3.9 – Comunicações de mensagens de urgência em DSC
Este tipo de transmissão deve ser efectuado em 2 partes:
I) Anúncio da mensagem de urgência
II). Transmissão da mensagem de urgência
I). Anúncio da mensagem de urgência
É feito pela transmissão da chamada de urgência no canal de socorro em DSC do seguinte modo:
-
- Sintonizar o transmissor no canal de socorro em DSC
- Introduzir ou seleccionar no teclado do equipamento
a) Chamada a todos os navios ou os 9 dígitos de uma estação
b) A categoria da chamada (URGÊNCIA)
c) A frequência ou o canal no qual vai ser transmitida a mensagem de urgência
d) O tipo de comunicação no qual a mensagem de urgência pode ser dada (radiotelefonia)
De acordo com as instruções do fabricante do equipamento DSC.
II) Transmissão da mensagem de urgência
– Sintonizar o transmissor na frequência ou no canal indicado na chamada de urgência em DSC
– Transmitir a mensagem de urgência do seguinte modo:
a) “ PAN PAN “ repetido 3 vezes
b) “ Chamada Geral “ (All Stations) ou estação chamada, repetido 3 vezes
c) Aqui (This is)
d) Os 9 dígitos de identificação e o indicativo de chamada ou outra identificação do próprio navio
e) O texto da mensagem de urgência
7.2.3.10 – Comunicações de mensagens de segurança em DSC
Este tipo de transmissão deve ser efectuado em 2 partes:
II) Anúncio da mensagem de segurança
II) Transmissão da mensagem de segurança
I) Anúncio da mensagem de segurança
O anúncio é feito pela transmissão da chamada de segurança no canal de socorro em DSC do seguinte modo:
-
- Sintonizar o transmissor no canal de socorro em DSC
- Seleccionar o formato de chamada apropriado no teclado do equipamento DSC (todos os navios; área geográfica; chamada individual)
- Introduzir ou seleccionar nas teclas do equipamento DSC:
a) A área especifica ou os 9 dígitos de 1 estação individual, se apropriado
b) A categoria da chamada (SEGURANÇA)
c) A frequência ou o canal no qual vai ser transmitida a mensagem de segurança
d) O tipo de comunicação no qual a mensagem de segurança pode ser fornecida (radiotelefonia)
De acordo com as instruções do fabricante do equipamento DSC.
II) Transmissão da mensagem de urgência
– Sintonizar o transmissor na frequência ou no canal indicado na chamada de urgência em DSC
– Transmitir a mensagem de urgência do seguinte modo:
a) “ SECURITE “ repetido 3 vezes
b) “ Chamada Geral “ (ALL Stations) ou estação chamada, repetido 3 vezes
c) Aqui (This is)
d) Os 9 dígitos de identificação e o indicativo de chamada ou outra identificação do próprio navio
e) O texto da mensagem de segurança
Atenção:
Os navios que recebem 1 chamada de urgência / segurança em DSC, anunciando 1 mensagem de urgência / segurança, dirigida a todos os navios NÃO devem dar o recebido à chamada em DSC, mas sim sintonizar o receptor radiotelefónico na frequência indicada na chamada e escutar a mensagem de urgência / segurança.
A chamada selectiva digital para correspondência pública em MF utiliza canais nacionais ou internacionais separados. Nem estas frequências nem as frequências de chamada selectiva digital entre navios podem ser confundidas com as frequências de socorro. A utilização destas últimas para efeitos outros que não alerta de socorro ou anúncios de urgência / segurança, ocorre em penalizações graves.
Em zonas oceânicas recomenda-se:
Antes de efectuar a transmissão da mensagem deverá ter em atenção:
-
- Que a chamada é feita na frequência apropriada;
- Que a chamada de socorro deve ser feita com a potência máxima;
- Que deve escutar antes a frequência em que vai transmitir para se certificar de que não vai prejudicar nenhuma comunicação em curso e ser interferido
Durante a transmissão:
Falar claro;
-
- Falar pausadamente e sempre com a mesma velocidade;
- Não gritar e separar bem as palavras;
- Procurar que as comunicações sejam curtas e precisas;
- Sempre que tenha de pronunciar letras ou grupos de letras isolados, ou então quando a comunicação é difícil, SOLETRE de acordo com a Tabela Internacional de Soletração de Letras e Algarismos (que se junta no final deste procedimento como Anexo A)
No final de cada chamada aguardar sempre um intervalo de cerca de 3 minutos, para que as estações que o ouviram tenham tempo de pôr os equipamentos “em cima” e responder, antes de chamar novamente.
7.2.4 – Composição da mensagem
Os elementos que devem compor a mensagem são:
-
- Indicativo de chamada/nome do navio
- Posição;
- Natureza do perigo e tipo de assistência pedida;
- Qualquer outra informação relevante (ex.: rumo e velocidade se o navio tiver seguimento, intenções do Comandante, número de pessoas que abandonaram o navio, tipo de carga e se é perigosa)
Outras informações importantes:
-
- Condições meteorológicas locais (vento, mar, visibilidade);
- Hora de abandono do navio;
- Número de tripulantes que permanecem a bordo;
- Número de feridos graves;
- Número e tipo de embarcações salva-vidas lançadas ao mar
- Meios de localização de emergência existentes nas embarcações salva-vidas ou lançados ao mar.
Se as circunstâncias o permitirem, é preferível enviar uma série de mensagens curtas a uma ou duas mensagens longas.
Quando se solicitar assistência médica para um doente ou ferido será necessário incluir informação adicional:
-
- Nome, idade, sexo, nacionalidade e idioma do doente;
- Pulsação, respiração, temperatura e pressão arterial;
- Localização da dor;
- Natureza da doença ou ferimento incluindo a causa aparente e história relacionada;
- Sintomas gerais e particulares;
- Tipo, hora, constituição e quantidade de todos os medicamentos ministrados;
- Hora do último alimento ingerido;
- Capacidade do doente para comer, beber, caminhar ou mexer-se;
- Se o navio tem farmácia e se existe enfermeiro ou outra pessoa com conhecimentos médicos a bordo;
- Se o navio está dotado de área para operação com helicópteros
- Nome, morada e número de telefone do Agente;
- Último porto, próximo porto e ETA;
- Outras informações que se julguem necessárias.
A utilização do Código Internacional de Sinais, poderá ser de muita utilidade especialmente quando é necessário ultrapassar barreiras linguísticas.
7.2.5 – Emissão com a finalidade de facilitar a radiolocalização
Sempre que haja a possibilidade de, logo a seguir à transmissão de uma mensagem de socorro, serem transmitidos sinais que possam permitir, quer ás estações costeiras quer a outros navios, a determinação de azimutes radiogoniométricos, isso deverá ser feito.
7.2.6 – Cancelamento da transmissão de socorro
Logo que as acções que deram origem à transmissão de uma mensagem de socorro já não sejam necessárias (acções de salvamento terminadas, buscas finalizadas) a mensagem de socorro será sempre cancelada.
7.2.7 – Treino
É importante que todas as mensagens de socorro sejam transmitidas o mais rapidamente possível e que todos os meios existentes a bordo destinados a assinalarem a presença do navio sejam utilizados correctamente (sinais de fumo, paraquedas, fachos de mão, EPIRB, SART, V.H.F das baleeiras, emissor portátil das baleeiras).
Junto aos equipamentos de radiotelefonia, radiotelegrafia e V.H.F estarão instruções resumidas do modo de operar os equipamentos numa emergência (incluindo a indicação das respectivas frequências).
ANEXO A
TABELA INTERNACIONAL DE SOLETRAÇÃO DE LETRAS E ALGARISMOS
| LETRA | PALAVRA | PRONÚNCIA | LETRA | PALAVRA | PRONÚNCIA |
| A | Alfa | AL FA | N | November | NOVEN BÂ |
| B | Bravo | BRÁ VO | O | Oscar | ÓSS CAA |
| C | Charlie | TCHÁR LI | P | Papa | PAPÁ |
| D | Delta | DÉL TA | Q | Quebec | QUEBÉQUE |
| E | Echo | É CO | R | Romeo | RO MI O |
| F | Foxtrot | FÓCSTRÓTE | S | Sierra | SIÉRRA |
| G | Golf | GÓLFE | T | Tango | TAN GO |
| H | Hotel | HOTEL | U | Uniform | IU NI FÓME |
| I | Índia | ÍN DIA | V | Victor | VIC TA |
| J | Juliett | DJU LIÉTE | W | Whiskey | UÍCE QUI |
| K | Kilo | QUI LÔ | X | X-ray | ÉCSE RREI |
| L | Lima | LI MA | Y | Yankee | IAN QUI |
| M | Mike | MAIQUE | Z | Zulu | ZÚ LU |
NOTA: As sílabasa cheio são acentuadas
| ALGARISMOOU SINAL | PALAVRA | PRONÚNCIA | ALGARISMOOU SINAL | PALAVRA | PRONÚNCIA |
| 0 | Nadazero | NÁ DA ZÊ RO | 7 | Setteseven | SÊ TÊ CÉV’N |
| 1 | Unaone | U NÁ UANE | 8 | Oktoeight | OK TÔ EIT |
| 2 | Bissotwo | BIS SÔ TU | 9 | Novenine | NO VÊ NÁI NÂ |
| 3 | Terrathree | TÊ RRA ÇURI | Ponto Decimal ou vírgula | Decimal | DÉ CI MAL |
| 4 | Kartefour | CAR TÉ FÓ UÂ | Ponto final | Stop | STÓP |
| 5 | Pantafive | PAN TA FÁI IV | |||
| 6 | Soxsix | SOK CI CIKSS |
NOTA: As sílabas são acentuadas por igual
ANEXO B
ORIENTAÇÃO NA OPERAÇÃO DO GMDSS PARA COMANDANTES DE NAVIOS EM SITUAÇÕES DE PERIGO

1 – A EPIRB flutuará livremente e activar-se-à automaticamente se não for levada para a embarcação salva-vidas.
2 – Quando necessário, os navios deverão usar qualquer meio apropriado para alertar os outros navios.
3 – Nada do mencionado acima pretende impedir o uso de todo e qualquer um meio de alerta de perigo.
| COMUNICAÇÕES DE PERIGO VIA RÁDIO | ||||||
| Chamada digitalSelectiva (DSC) | Radiotelefone | Radiotelex | ||||
| VHF | Channel 70 | Channel 16 | ||||
| MF | 2187.5 KHz | 2182 KHz | 2174.5 KHz | |||
| HF4 | 4207.5 KHz | 4125 KHz | 4177.5 KHz | |||
| HF6 | 6312 KHz | 6215 KHz | 6268 KHz | |||
| HF8 | 8414.5 KHz | 8291 KHz | 8376.5 KHz | |||
| HF12 | 12577 KHz | 12290 KHz | 12520 KHz | |||
| HF16 | 16804.5 KHz | 16420 KHz | 16695 KHz | |||
7.3 – RECEBER UMA MENSAGEM DE SOCORRO
7.3.1 – Modo de recepção da mensagem
Uma mensagem de socorro pode chegar ao navio por vários meios:
-
- Directamente pela audição do sinal de alarme e/ou a chamada e mensagem de socorro ou pela retransmissão destes sinais;
- Por sinais emitidos por uma EPIRB;
- Por sinais visuais ou sonoros de navios ou aeronaves em situação de emergência;
7.3.2 – Procedimento imediato
Ao receber uma mensagem de socorro um navio procederá da seguinte maneira:
-
- Acusa a recepção e se adequado deve retransmitir a mensagem de socorro;
- Transmite ao navio em perigo a seguinte informação:
- Sua identificação
- Sua posição
- Velocidade e ETA (hora estimada de chegada)
- Se tiver obtido, o azimute verdadeiro do navio em perigo
- Mantém escuta permanente nas frequências de socorro
- Mantém os radares em funcionamento;
- Faz um registo detalhado de todos os acontecimentos relacionados com a ocorrência.
7.3.3 – Designação do Coordenador da Busca de Superfície
Se as unidades navais (da Marinha de Guerra) não estiverem disponíveis para assumirem as funções de Comandante na Área do Acidente (OSC – On Scene Commander), mas já se encontrarem navios mercantes a participar nas operações de busca e salvamento um deles, por acordo entre todos os participantes na operação, deverá ser designado como o CSS (Coordenador da Busca de Superfície), o qual terá no local idênticas funções a um OSC (Comandante na Área do Acidente)
7.3.4 – Procedimento ao se aproximar do local
-
- Antes de se aproximar do local da emergência, a bordo do navio serão tomadas várias medidas que visam preparar e facilitar as operações que se irão desenrolar seguidamente. Assim, e de acordo com a situação que tivermos que enfrentar, entre outras tarefas proceder-se-à ao seguinte:
- Em ambos os bordos do navio ao longo do costado (na zona de meio navio) deve ser colocado um cabo ao longo da linha de água (seguro para o navio por retenidas) para facilitar a atracação das embarcações salva-vidas;
- Um aparelho de carga (pau, grua, etc.) deve estar pronto a ser utilizado tendo uma rede ou um tabuleiro de carga, para a rápida recolha de feridos ou sobreviventes exaustos que se encontrem na água;
- Escadas de quebra-costas, redes de abordagem (se existirem), retenidas, devem estar prontas no convés para auxiliarem os sobreviventes;
- Uma baleeira do navio preparada à borda com a tripulação pronta para, se necessário, ser arriada para a água a fim de prestar o auxílio que for solicitado;
- Preparativos para a recepção dos sobreviventes que necessitem de cuidados médicos;
- Pistola lança-cabos e cabo (próprio para a finalidade desejada) prontos para serem utilizados se necessário
Durante a aproximação à área do acidente os navios deverão:
- Dobra as vigias ao aproximar-se do local da emergência de maneira a que se efectue a
- Pesquisa visual num arco de 360º em torno do navio;
- Tomar as medidas necessárias para se tornarem bem visíveis aos sobreviventes, tais como produzir fumo durante o dia ou mantendo o navio bem iluminado, durante a noite. Contudo deverá ter-se em atenção que é de importância fundamental não importunar a visão dos vigias, com excesso de iluminação;
- Não se esquecer de emitir sinais sonoros com o apito, enquanto efectuam a busca, para chamar a atenção dos sobreviventes no caso de estarem dentro de uma embarcação salva-vidas coberta
7.3.5 – Busca
Se ao chegar à área do acidente o objectivo não foi localizado deve ser iniciada uma busca imediatamente.
A responsabilidade de seleccionar as embarcações presentes na área, para efectuar uma busca de um modo eficaz em conjunto com as aeronaves SAR, pertence ao CSS (Coordenador de Busca de Superfície) ao qual também competirá definir qual o diagrama de busca mais adequado.
As aeronaves em virtude da sua mobilidade têm mais por missão localizar os sobreviventes passando depois a informação às embarcações a quem geralmente compete a sua recuperação.
Uma vez avistado o objecto da busca ou o sobrevivente, o CSS avaliará qual o melhor método de salvamento e em função dos navios presentes instruirá o ou os navios melhores apetrechados para se dirigirem ao local
7.3.6 – Recuperação
A recuperação dos sobreviventes poder-se-à fazer por intermédio de uma das embarcações que participou nas operações de busca ou por intermédio de um helicóptero.
7.3.6.1 – Recuperação por helicóptero
A utilização de helicópteros embora esteja já muito divulgada está contudo dependente de factores tais como:
-
- Distância da base ao local do acidente;
- Capacidade do helicóptero;
- Condições de tempo e mar
envolvendo portanto determinados riscos para a tripulação do aparelho pelo que é importante que caso a caso seja avaliada a gravidade da situação e a necessidade da sua utilização.
O helicóptero pode ser usado quer para fornecer equipamento quer para salvar ou evacuar pessoas.
Para as operações de salvar ou evacuar pessoas, que são as que de momento nos interessam, utiliza um dispositivo especial para içar ou arriar as pessoas. O procedimento habitual é o helicóptero arriar um membro da sua tripulação, suspenso por um cabo de aço, para dar assistência e conduzir as operações.
O equipamento utilizado para a evacuação de pessoas normalmente é qualquer um dos apresentados seguidamente:
Alça de salvamento. É o meio mais usual por ser de fácil e rápida utilização existindo vários modelos. É inadaptado para doentes. Na sua utilização deve-se ter em conta o seguinte:
-
- O utilizador tem de ficar com a face voltada para o gancho;
- As mãos ficam colocadas à frente e agarradas uma à outra;
- Não pode ser utilizada como assento;
- Não deve ser desengatada do gancho;
- Enverga-se facilmente, como se fosse vestir um casaco, ficando o seio da alça nas costas e passando por baixo dos sovacos.
Cesto de salvamento. Não exige nenhum procedimento especial. O sobrevivente limita-se a entrar no cesto, sentar-se e agarrar-se.
Rede de salvamento. É parecida com uma gaiola em forma de pirâmide tendo uma abertura lateral. O sobrevivente limita-se a entrar na rede, sentar-se e agarrar-se.
Maca de salvamento. Os helicópteros têm usualmente macas próprias que já têm instalados estropos preparados para poderem rapidamente e em segurança ser engatados ou desengatados ao gancho de içar. É pois de toda a conveniência que quando há a necessidade de evacuar feridos as macas dos helicópteros sejam as utilizadas.
Cadeira de salvamento. Parece uma cruz ou uma âncora em que os braços estão achatados ou são em forma de assento. A pessoa ao ser içada senta-se num dos braços ou assentos e abraça-se à haste vertical.
7.3.6.2 – Recuperação por abordagem
Designa-se de recuperação por abordagem a saída de sobreviventes de um navio para outro navio ou para terra utilizando um aparelho de vaivém com bóia calção.
O método de estabelecer um aparelho de vaivém com bóia calção já foi descrito na Seção 4.2 – APARELHO DE VAIVÉM COM BÓIA CALÇÃO, pelo que deverá ser lido atentamente.
7.4 – TABELAS DE SINAIS DE SALVAMENTO
Os sinais de salvamento descritos no IAMSAR devem ser utilizados por todos os intervenientes em operações de busca e salvamento, quando comunicando entre si.
Igualmente é obrigatória a existência de tabelas ilustradas, descrevendo os referidos sinais, sempre disponíveis para utilização pelo Oficial de quarto na ponte. A seguir se apresentam as várias tabelas dos sinais visuais vulgarmente utilizadas nas operações SAR:
foto
7.4.1 – Sinais visuais AR/SUPERFÍCIE
As manobras a seguir indicadas serão executadas pelos aviões que efectuam serviços de vigilância e salvamento com a finalidade de chamar a atenção e orientar a unidade de superfície para o local do acidente.
1 – Voar em círculo, pelo menos uma vez em torno do navio;
2 – Cruzar o rumo do navio a curta distância da proa e a baixa altitude
-
- Balançando as asas; ou
- Aumentando e diminuindo a potência dos motores; ou
- Alterando o passo dos hélices
foto
3 – Aproar na direção a que o navio deve seguir a repetição destas manobras tem o mesmo significado
As manobras a seguir indicadas serão executadas pelos aviões que efectuam serviços de vigilância e salvamento com a finalidade de avisar a unidade de superfície de que já não é necessária a assistência.
1 – Cruzar a esteira do navio, próximo da popa e a baixa altitude
-
- Balançando as asas; ou
- Aumentando e diminuindo a potência dos motores; ou
- Alterando o passo dos hélices
Estes sinais serão utilizados pela embarcação em resposta aos sinais indicados anteriormente.
Para acusar o recebido:
-
- Içar o galhardete do Código Internacional de Sinais (riscas verticais vermelhas e brancas que significa compreendido)
- Transmitir por morse luminoso o sinal T
- ( — )
- Altera a proa para o rumo indicado
Para informar a impossibilidade de cumprir as instruções:
-
- Içar a bandeira N do Código Internacional de Sinais (bandeira axadrezada em azul e preto)
- Transmite por morse luminoso o sinal N
- ( — • )
7.4.2 – Sinais visuais SUPERFÌCIE/AR
Estes sinais serão feitos a partir de uma embarcação ou de sobreviventes para um avião utilizado em serviços de vigilância e salvamento.
| Utilizar uma lanterna de sinais, ou as bandeiras de sinais do Código Internacional de Sinais ou, em alternativa, os símbolos visuais Superfície/Ar a seguir indicados, desenhando-os no convés do navio | ||||
| MENSAGEM | CÓDIGO SINAIS | SIMBOLO VISUAL | ||
| Preciso de Ajuda/ | V | V | ||
| Preciso de auxílio médico | W | X | ||
| Não ou Negativo | N | N | ||
| Sim ou Afirmativo | C | Y | ||
| Vamos nesta direção | ↑ | |||
Um avião poderá responder aos sinais feitos por uma unidade de superfície da seguinte maneira:
Se compreendeu o sinal:
-
- Lançando uma mensagem; ou
- De dia – balançando as asas do avião; ou de noite – acendendo e apagando, duas vezes, as luzes de aterragem, ou, se não estiver equipado com elas, acendendo e apagando, duas vezes, as luzes de navegação; ou
- Transmitindo por morse luminoso (utilizando uma lanterna de sinais) o sinal T ( — ) que significa que a palavra ou grupo foi recebido ou R (• — •) que significa recebido ou recebi o seu último sinal/mensagem; ou
- Usando qualquer outro sinal previamente combinado em substituição dos mencionados
Se não compreendeu o sinal:
-
- Não alterando o rumo e altitude e não balançando as asas; ou
- Transmitindo por morse luminoso o sinal RPT ( • — • • — — • — ) que significa “eu repito” ou “repita o que transmitiu”; ou
- Usando qualquer outro sinal previamente combinado em substituição dos mencionados
Exemplo de um procedimento de socorro (em Radiotelefonia)
1º – Transmitir o sinal de alarme
Usando o manipulador automático do sinal de alarme radiotelefónico e classe de emissão H3E. Máxima potência 30 a 60 segundos.
2º – Transmitir a chamada de socorro
MAYDAY MAYDAY MAYDAY
(Mêdê) (Mêdê) (Mêdê)
AQUI
(NOME DO NAVIO) (NOME DO NAVIO) (NOME DO NAVIO)
3º – Aguardar por momentos para ver se alguma estação responde ao pedido de socorro.
4º Transmissão da mensagem (mesmo que ninguém responda deverá transmitir a mensagem de socorro):
MAYDAY (Mêdê) AQUI (NOME DO NAVIO)
………. (Posição do navio)
………. (Natureza do acidente)
………. (Natureza da ajuda pretendida)
………. (Outra qualquer informação que facilite o socorro)
A partir deste momento e até acabarem as comunicações relativas ao socorro, no início de qualquer emissão deve ser usada a palavra MÊDÊ quer pelo navio que emitiu a mensagem quer pela estação (navio ou terra) que está a prestar socorro.

INDÍCE