2.14 Uso de mangueiras, agulhetas e bocas de incêndio

Uso de mangueiras, agulhetas e bocas de incêndio


  1. OBJECTIVO

Descrição dos procedimentos para manutenção e operação de mangueiras, agulhetas e bocas de incêndio.

  1. ÂMBITO

Todos os navios

  1. EXCEPÇÕES

Nenhumas

  1. DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA

Curso de lucha contra Incendios – Centro de Seguridad Marítima Integral Jovellanos

  1. RESPONSABILIDADE

É responsabilidade do Imediato a coordenação das acções de manutenção e operacionalidade das mangueiras, agulhetas e bocas de incêndio, podendo delegar noutro Oficial a tarefa de proceder à inspecção dos equipamentos.

Em caso de emergência cabe ao Oficial designado para assumir o comando dos Grupos de Ataque e Apoio ou Grupo da Casa da Máquina a responsabilidade pela utilização de forma adequada das mangueiras, agulhetas e bocas de incêndio.

  1. DESCRIÇÃO

6.1 – Geral

As mangueiras, agulhetas e bocas de incêndio existentes a bordo terão de ser de tipo aprovado e em número igual ao que consta do Record of Approved Cargo Ship Equipment emitido pela Sociedade Classificadora, e que acompanha o Certificado de Segurança do Equipamento para Navio de Carga.

6.2 – Localização

A localização das mangueiras, agulhetas e bocas de incêndio é a indicada no Plano de Segurança e estará devidamente identificada com simbolos que respeitem as recomendações IMO.

6.3 – Manutenção

6.3.1 – Mangueiras

As mangueiras serão inspeccionadas mensalmente.

Pontos de inspecção:

  • fixação das uniões à mangueira;
  • juntas de borracha de vedação das uniões;
  • detecção de vincos resultantes da estiva das mangueiras.

6.3.2 – Agulhetas

Devem ser inspeccionadas mensalmente para verificação de que o manípulo de comutação (jacto/spray/fecho) se encontra a rodar com facilidade.

6.3.3 – Bocas de incêndio

Devem ser inspeccionadas mensalmente.

Pontos de inspecção:

  • estarem as válvulas leves;
  • terem os volantes inteiros;
  • terem as juntas de borracha de vedação em boas condições.

Nas inspecções será usada a “FICHA DE INSPECÇÃO AOS MEIOS DE COMBATE A INCÊNDIO – CAIXAS DO SERVIÇO DE INCÊNDIO” e a “FICHA DE INSPECÇÃO AOS MEIOS DE COMBATE A INCÊNDIO – BOCAS DO SERVIÇO DE INCÊNDIO”.

6.4 – Utilização

O uso de mangueiras, agulhetas e bocas de incêndio está associado à utilização de água. Esta poderá ser utilizada para o combate a incêndios de vários tipos tendo cada um deles um diferente método de extinção.

6.4.1 – Fogos da “Classe A”

São fogos que surgem em materiais fibrosos, madeiras, papel, tecidos, etc.

A melhor forma de combater um incêndio desta classe é a aplicação de água sob a forma de pulverização.

O jacto de água será usado somente para combater incêndios em que o uso da pulverização se torna ineficaz, quer por o foco não ser atingido (devido à distância) ou por haver necessidade de o desagregar em virtude de se encontrar muito compacto (caso de produtos armazenados uns em cima dos outros)

6.4.2 – Fogos da “Classe B”

São fogos resultantes da combustão de líquidos combustíveis.

A água não é recomendada para combater fogos da “Classe B” podendo contudo ser utilizada no combate a incêndios em produtos não voláteis em que a temperatura da água está abaixo do ponto de inflamação do produto. Nestes casos será aplicada sob a forma de pulverização e nunca na forma de jacto. A água pode ser utilizada no arrefecimento de anteparas, tanques, etc.

6.4.3 – Fogos da “Classe C

São fogos que ocorrem em instalações eléctricas. Nunca serão combatidos com água, excepto quando haja a certeza absolutade que a corrente eléctrica está desligada.

6.4.4 – Fogos da “Classe D”

São fogos que ocorrem em metais, exigindo na maioria das vezes métodos especiais de extinção. Independentemente do método especial que possa a vir a ser usado, poderá sempre usar-se água em grandes quantidades.

6.5 – Manuseamento de mangueiras e agulhetas

O conjunto mangueira / agulheta poderá ser manejado por uma só pessoa ou por mais do que uma, dependendo do diâmetro das mangueiras que estão a ser utilizadas.

Quem manuseia a agulheta terá a responsabilidade da sua própria protecção e a segurança das pessoas que o acompanham. A sua atenção deve concentrar-se sempre no que está à sua frente ou seja, na direcção do jacto ou pulverização e nunca no que está atrás de si. Deve ter em mente que um desvio da atenção (pelo rodar da cabeça) normalmente é acompanhado de uma torção do corpo e consequentemente uma mudança da orientação do jacto / pulverização de água que pode abrir “brechas” onde passem as chamas ou o fumo.

6.5.1 – Posição do corpo

Manter uma posição vertical com uma inclinação para a frente, dependente do maior ou menor grau da pressão que existir na mangueira.

A posição será em pé se estiver distante do foco de incêndio, e o mais baixo possível se estiver próximo, expondo uma menor superfície do corpo ao calor. A posição baixa aumenta a estabilidade do corpo.

6.5.2 – Posição dos braços e mãos

O braço do lado da mangueira aperta-a contra o corpo e a axila enquanto que o antebraço corre por debaixo  ao longo da mangueira, indo agarrá-la com a mão, junto à união com a agulheta.

A mão do outro braço segura a agulheta no manípulo de controlo de jacto/pulverização.

6.5.3 – Posição dos pés e pernas

Os pés estarão um à frente e o outro atrás, estando a perna do pé que se encontra à frente um pouco curvada pelo joelho e a outra perna direita e o mais rígida possível.

Para se mover, em qualquer direcção, o tripulante não deve levantar os pés do chão, mas sim arrastar ou deslizar os pés.

6.6 – Métodos de aplicação da água

6.6.1 – Geral

Embora por vezes possa parecer que uma só mangueira é suficiente para combater um incêndio, deverão existir outras em estado de prontidão para utilização imediata.

6.6.2 – Água em jacto

A utilização de água em jacto além de nos dotar com uma maior quantidade de água proporciona-nos a possibilidade de um maior alcance, quer em altura quer em distância, estabelecendo-se portanto um maior afastamento entre o fogo e os seus opositores. Isto permite, com excepção de fogos muito intensos, que os combatentes usem roupas de combate mais leves.

A água em jacto não deve ser dirigida sempre sobre o mesmo local do foco de incêndio pois há o perigo dele se espalhar devido à força da água.

Deve ser lançada com movimentos horizontais e verticais para que se distribua o mais possível sobre o fogo a atacar.

6.6.3 – Água pulverizada

A utilização da água pulverizada proporciona aos combatentes um meio muito eficaz para deter o avanço das chamas ou dos fumos. A partir da agulheta forma-se um cone de água que é utilizado como protecção de quem segura a agulheta permitindo assim que se aproxime um pouco mais das chamas para as combater. Neste caso a água pulverizada deve ser dirigida sempre para a origem do fogo evitando-se os movimentos horizontais ou verticais, de modo a evitar que as chamas ou fumos avancem, pondo em perigo a equipa que está a atacar o incêndio.


SM_2.14-MdC.doc


LISTA DE DISTRIBUIÇÃO
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