2.08 Manutenção e operação do motor das embarcações salva-vidas

Manutenção e operação do motor das embarcações salva-vidas


  1. OBJECTIVO

Descrição dos procedimentos de manutenção e operação dos motores das baleeiras

  1. ÂMBITO

Todos os navios

  1. EXCEPÇÕES

Nenhumas

  1. DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA

Livros de instruções dos fabricantes dos motores

  1. RESPONSABILIDADE

A responsabilidade da manutenção do motor das baleeiras cabe ao 2º Oficial Maquinista.

A responsabilidade da condução do motor das baleeiras caberá aos tripulantes que para tal estejam designados no Rol de Chamada.

  1. DESCRIÇÃO

6.1 – Geral

Serão feitos semanalmente testes e inspecções aos motores das embarcações salvavidas devendo trabalhar a vante e a ré durante um período no mínimo de 3 minutos. Nos casos em que exista a necessidade do hélice estar mergulhado ou em que a refrigeração do motor se faz por meio de água, o motor apenas deverá trabalhar durante o tempo indicado pelo fabricante.

As datas em que estes testes/inspecções são executados serão registadas no DIÁRIO DE NAVEGAÇÃO e nas “FICHA DE INSPECÇÃO À BALEEIRA Nº 1 – INSPECÇÕES SEMANAIS (ROTINAS)” e na “FICHA DE INSPECÇÃO À BALEEIRA Nº 2 – INSPECÇÕES SEMANAIS (ROTINAS)”

6.2 – Manutenção

6.2.1 – Combustível

Usar sempre combustível livre de água e sujidade. Apesar de normalmente existir um filtro no sistema de combustível, entre o depósito e o sistema de injecção, é conveniente que no enchimento do depósito se utilize um funil dotado de rede metálica fina.

O depósito de combustível deverá estar sempre atestado.

6.2.2 – Óleo de lubrificação

Usar somente os lubrificantes recomendados pelo fabricante e de acordo com a estação do ano.

Nunca misturar dois lubrificantes de marcas diferentes ou, ainda que da mesma marca, sejam de diferente tipo.

6.2.3 – Inspecções semanais

Antes de pôr o motor a trabalhar dever-se-à:

  • verificar o nível de combustível. Se houver necessidade de atestar o depósito, antes de o fazer e desde que o tanque tenha uma válvula de fundo para purga, abri-la para retirar quaisquer impurezas que possam existir no fundo do depósito;
  • verificar o nível do óleo de lubrificação no carter e caixa de engrenagens (se existir). Os valores de máximo e mínimo marcados nas varetas não devem ser ultrapassados;
  • verificar o estado do filtro de ar e limpá-lo se necessário;
  • lubrificar o manípulo do acelerador e os descompressores;

Logo que o motor seja posto a trabalhar verificar:

  • se existe qualquer barulho anormal;
  • se existem fugas (de gases, de combustível,de óleo de lubrificação, de água no caso do motor ser refrigerado a água);
  • se há parafusos ou porcas aliviados;
  • se existe algum aquecimento anormal.

No caso do motor ter arranque eléctrico, as baterias deverão merecer alguns cuidados especiais:

  • verificar se os bornes se mantêm bem limpos (sem a formação de sais), bem apertados e untados com vaselina;
  • verificar se os orificios de aerificação das tampas dos elementos se encontram desobstruídos (para a saída dos gases);
  • verificar o nível do electrólito e proceder ao seu reenchimento com água destilada, se necessário;
  • verificar a carga da bateria utilizando um densímetro;
  • se por falta de electrólito não fôr possível efectuar a leitura com o densímetro, acrescentar água destilada e aguardar pelo menos 30 minutos antes de verificar a carga.

Para outras rotinas de manutenção, como limpeza e substituição de filtros (ar, combustível, óleo lubrificante), limpeza de dínamos e motores de arranque (quando existirem), afinações, etc., consultar os manuais de operação dos motores, fornecidos pelos fabricantes.

6.3 – Operação

6.3.1 – Arrancar o motor manualmente

  • desembraiar o motor;
  • verificar o nível do combustível;
  • abrir a válvula de combustível (se existir);
  • verificar o nível do óleo de lubrificação no carter e na caixa de engrenagens (se existir);
  • certificar-se de que o motor está livre para rodar sem obstruções;
  • colocar o acelerador a meio do seu percurso, permitindo um acréscimo de combustível para o arranque;
  • mover o manípulo de descompressão para a posição de arranque;
  • com a manivela dar lentamente uma série de voltas ao motor (entre 3 e 20 voltas dependendo da temperatura e do tempo de imobilização do motor) de modo a ferrar o sistema de lubrificação;
  • aumentar a cadência da velocidade das voltas da manivela e, quando o motor tiver alcançado velocidade suficiente, rodar o manípulo de descompressão para a posição de marcha, deixando logo de acompanhar o motor com a manivela;
  • depois de o motor arrancar reduzir a velocidade deixando o motor a trabalhar lentamente, para aquecer, durante cerca de 5 minutos. Durante o período de aquecimento verificar se:
  • existe algum barulho anormal;
  • existem fugas de gás, óleo, combustível ou água (no caso de motores refrigerados a água);
  • existe algum aquecimento anormal.

6.3.2 – Arrancar o motor electricamente

  • desembraiar o motor;
  • verificar o nível do combustível;
  • abrir a válvula de combustível (se existir);
  • verificar o nível do óleo de lubrificação no carter e na caixa de engrenagens (se existir);
  • certificar-se de que as baterias estão ligadas e têm carga;
  • certificar-se de que o motor está livre para rodar sem obstruções;
  • colocar o acelerador a meio do seu percurso, permitindo um acréscimo de combustível para o arranque;
  • accionar o botão de arranque e largá-lo imediatamente após o motor arrancar.(Não carreguar no botão continuamente mais de 10 segundos)
  • depois de o motor arrancar reduzir a velocidade deixando o motor a trabalhar lentamente, para aquecer, durante cerca de 5 minutos. Durante o período de aquecimento verificar se:
  • existe algum barulho anormal;
  • existem fugas de gás, óleo, combustível ou água (no caso de motores refrigerados a água);
  • existe algum aquecimento anormal.

6.3.3 – Arrancar o motor no Inverno

Para assegurar um arranque em condições satisfatórias em ambiente frio, a viscosidade do óleo deve ser a recomendada pelo fabricante para essas temperaturas.

Com temperaturas muito baixas poderá eventualmente haver a necessidade de também utilizar combustível apropriado (combustível de Inverno).

Se em consequência das baixas temperaturas existir dificuldade em pôr o motor a trabalhar manualmente:

  • retirar os bujões das tampas da cabeça e introduzir um pouco de óleo (para reduzir o volume da câmara de combustão) da mesma qualidade do óleo do motor;
  • voltar a colocar os bujões;
  • seguidamente efectuar todas as operações indicadas para o arranque manual normal.

Nunca utilizar produtos tipo “Starter”

Se o arranque fôr eléctrico dependerá, entre outras coisas, da capacidade do motor de arranque e da carga da bateria. Verificar se a bateria está bem carregada. Além disso, e se possível , manter a bateria num local quente (cerca dos 20º C.) levando-a só para a embarcação momentos antes de necessitar de a usar.

6.3.4 – Parar o motor

  • desembraiar o motor;
  • deixar o motor a trabalhar lentamente durante cerca de 5 minutos;
  • acelerar seguidamente para descarregar qualquer combustível não queimado que esteja na câmara de combustão, encostando em seguida o acelerador até ao fim, mantendo-o assim até o motor parar.

ATENÇÃO – Nunca parar o motor por intermédio dos manípulos de descompressão


SM_2.08-MdC.doc


LISTA DE DISTRIBUIÇÃO
Navio / Direcções Técnica / Segurança / Operações / Pessoal /Segurança (Protecção) / Responsável Nomeado / Online