2.20 Abandono do navio

Abandono do navio


1. OBJECTIVO

Descrição da actuação em situação de abandono.

2. ÂMBITO

Todos os navios

3. EXCEPÇÕES

Nenhumas

4. DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA

– Bridge Procedures Guide

5. RESPONSABILIDADE

O Comandante é responsável pela segurança da tripulação, do navio e da carga e da protecção do meio ambiente, competindo-lhe desenvolver todos os esforços e tomar todas as medidas que julgar con-venientes para lidar com a situação de abandono.

6. DESCRIÇÃO

6.1 – Geral

O abandono do navio pode ocorrer em porto ( fun-deado / atracado ) ou a navegar.

Independentemente da prévia situação de emer-gência antecedente, o Comandante tomará sempre o total comando das operações e decisão final quan-to ao abandono depois da avaliação cuidada.

A ordem será sempre dada de viva voz pelo Coman-dante e ou seu imediato substituto.

6.2 – Tripulação

Os tripulantes, alertados pelo alarme geral de emer-gência dirigir-se-ão imediatamente aos respectivos pontos de reunião. Nos pontos de reunião os chefes de grupo em função da situação de emergência em causa, serão informados da iniciativa a tomar, o combate à referida situação ou o dirigirem-se para os locais de abandono, já que situações podem exis-tir de imediato abandono. A preparação das baleei-ras / jangadas, deve ter lugar. As baleeiras serão despeadas, colocados bujões e arriadas até ao local de embarque. São preparadas e arriadas as escadas quebra-costas. As baleeiras só serão arriadas à água através de ordem dada de viva voz do Comandante / directo substituto.

Para tripulantes isolados, que possam não ouvir a voz de abandono, estes dirigir-se-ão aos locais de abandono ao ouvirem um toque contínuo de cam-painha ou apito do navio.

Devem todos os tripulantes, apesar de terem fun-ções especificas, estar familiarizados com todas as situações inerentes ao abandono, para que em caso de falta de um qualquer tripulante, possam agir em conformidade, substituindo-o nas suas funções obrigatórias.

Deve ser transportado para as baleeiras / jangadas agasalhos, água ( suplementar ), cobertores, latas de conserva, etc. Todos os tripulantes devem-se apre-sentar vestidos com roupa quente, incluindo um casaco tipo “ anouraque “ ou impermeável por cima delas, um barrete e os coletes devidamente enver-gados, bem como uso de capacete e botas de segu-rança. Se possível devem ter bebido uma boa quan-tidade de água.

O diário de navegação, cartas, publicações e utensí-lios náuticos, rádios portáteis ( GMDSS ) e os trans-pondar radar e Epirb, devem ser levados para as embarcações.

6.3 – Avaliação da situação

O Comandante, avaliará a situação geral e tomará a decisão de abandono. O abandono é a última deci-são a tomar depois de ponderados vários factores tais como:

• Eminência ou não de navio ser controlado to-talmente por um incêndio

• Afundamento

• Más condições de tempo ( factor diurno / noc-turno )

• Água aberta

• Adorno excessivo

• Encalhe / proximidade a terra e probabilidade de uso ou não da bóia calção

• Temperatura da água do mar ( função da dife-rença de latitudes )

• Área de tubarões

• Colisão e “prisão” entre 2 navios

• Óleo / combustível derramado na água e direc-ção do vento

Os tripulantes devem procurar nunca saltar para a água, mas sim entrar directamente nos meios de salvação. Em caso de extrema necessidade e salto para a água, procurar fazê-lo de uma altura inferior a 3 metros e tendo o cuidado de segurar eficazmente o colete a fim de evitar lesões.

Ambas as baleeiras a cada bordo permitem trans-portar a totalidade dos tripulantes e mesmo sobre-cargas / familiares.

Cuidado especial a ter durante o arreio da embarca-ção relativo ao período da vaga, de modo a evitar que a embarcação fique suspensa só através de uma talha, com o perigo de queda dos tripulantes. Deve ser observado se existem náufragos na perpendicu-lar de arreio das embarcações.

A velocidade do navio deve ser contida durante o arreio. No caso de navios com várias baleeiras a cada bordo, a velocidade do navio e o seguimento a vante ou a ré é importante na ordem sequencial a cada bordo para o arreio das embarcações. Os cro-ques devem ser usados para evitar contactos violen-tos com o costado do navio e possibilidade de danos nas baleeiras.

Devido aos sofisticados meios de comunicação ( Epirb 406 Mhz / 121,5 Mhz) via satélite, os tripulan-tes após abandonarem o navio devem permanecer na zona do acidente, afastando-se convenientemen-te do navio e ou perigos envolventes na área, pois será neste local que as buscas irão decorrer em pri-meiro lugar.

As comunicações de Socorro a uma situação de pré – abandono, devem estar em stand-by.

Os tripulantes devem estar familiarizados com o equipamento inerente quer às baleeiras, quer às jangadas e procedimentos de acordo com o Safety Manual ( Secção 2.7 ) Técnicas de sobrevivência em baleeiras / jangadas.

6.4 – Comunicações

Seguir-se-ão os procedimentos mencionados no SOPEP – CAPÍTULO 2

• PARÁGRAFO 2.1 – QUANDO PARTICIPAR,

• PARÁGRAFO 2.2 – ELEMENTOS DA PARTICI-PAÇÃO E MODELO DE PARTICIPAÇÃO e

• PARÁGRAFO 2.3 – A QUEM PARTICIPAR

6.5 – Salvação e assistência

Uma vez que o Comandante tenha tomado a decisão de pedir abandonar o navio, deverá seguir os pro-cedimentos para SALVAÇÃO E ASSISTÊNCIA que fazem parte deste Manual.

6.6 – Registos

Competirá ao Oficial de quarto fazer um registo de-talhado dos acontecimentos relacionados com a ocorrência. O registo será feito no Diário de Navega-ção e de acordo com o indicado no Manual de Navegação e Operação de Carga – Secção 2.1 Ponto 6.1, e deverá conter, entre outros, os seguin-tes elementos:

• hora e posição da ocorrência;

• condições meteorológicas;

• detalhes das comunicações trocadas entre navios e/ou outras entidades.

6.7 – Check Lists

O “CHECK LIST” PARA SITUAÇÃO DE EMER-GÊNCIA – ABANDONO que faz parte deste Manu-al, será sempre usado nesta eventualidade.

 

 


LISTA DE DISTRIBUIÇÃO
Navio / Direcções Técnica / Segurança / Operações / Pessoal /Segurança (Protecção) / Responsável Nomeado