Entrada em espaços fechados
- OBJECTIVO
Descrição dos procedimentos a ter em relação às condições e precauções para a entrada em espaços fechados.
- ÂMBITO
Todos os navios.
- EXCEPÇÕES
Nenhumas.
- DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA
Internacional Safety Guide for Oil Tankers & Terminals
Code of safe working practises for merchant seamen
Petroleum Tankship Safety
- RESPONSABILIDADE
É responsabilidade do Imediato avaliar todas as medidas e precauções necessárias para a realização em segurança da entrada e permanência em espaços fechados, devendo elaborar um plano para aprovação do Comandante. Poderá delegar em um ou mais Oficiais a execução do plano aprovado.
- DESCRIÇÃO
Antes da entrada em qualquer espaço fechado será preenchida e assinada pelos intervenientes uma “AUTORIZAÇÃO PARA ENTRADA EM ESPAÇOS FECHADOS”.
O espaço é seguro para entrada ( sem máscara / aparelho de respiração autónomo ) desde que o O2 não seja inferior a 21% e LIE não superior a 1% e elementos tóxicos contaminantes não estão presentes.
O RECURSO AO USO DE MÁSCARA / APARELHO DE RESPIRAÇÃO AUTÓNOMO SÓ É PERMITIDO EM SITUAÇÕES DE EMERGÊNCIA ( espaço considerado não seguro ), onde será nomeado um oficial que será designado “OFICIAL DE CONTROLO” e cuja função e responsabilidade será a de controlar, através do preenchimento da “FICHA DE CONTROLO”, a entrada, permanência e saída do(s) tripulante(s) do espaço fechado.
6.1 – Geral
Quaisquer espaço fechado de um navio que não seja permanentemente ventilado, pode conter gases inflamáveis / tóxicos, ou apresentarem falta de oxigénio.
Se durante o período em que estiver a ser ventilado, houver uma interrupção ou diminuição dos meios de ventilação, esse espaço será considerado como perigoso.
Antes de se entrar em qualquer espaço que seja considerado potencialmente perigoso, tomar-se-ão medidas para o tornar seguro e para que se possa entrar sem utilizar o aparelho de respiração autónoma, garantindo ao mesmo tempo que essa condição se manterá enquanto qualquer pessoa se encontrar lá dento.
Entre as várias medidas a tomar:
- examinar o local (pelo oficial responsável – Imediato) para uma avaliação da situação, definição das acções a tomar e nomeação de todo o pessoal que vai ser envolvido na operação;
- identificação dos perigos que se podem vir a encontrar;
- preparação e protecção do espaço para entrada;
- testes a realizar antes da entrada;
- procedimentos a adoptar antes e durante a entrada
6.2 – Avaliação da situação
Após uma cuidada análise, a qual incluirá não só o espaço em questão, mas também os espaços adjacentes tendo em atenção o tipo de trabalho que se vai realizar, o Imediato emitirá o seu parecer:
- de que não há nenhum perigo provável, para a vida ou saúde da pessoa que vai entrar, quer no momento quer futuramente; ou
- de que não existe nenhum perigo imediato, para a vida ou saúde da pessoa que vai entrar, mas que poderá vir a surgir durante a realização do trabalho; ou
- de que existe um perigo imediato para a vida ou saúde da pessoa que vai entrar.
Dependendo do parecer emitido, serão diferentes as medidas a adoptar, desde sem restrições (para o primeiro caso) até à adopção das medidas adequadas a cada uma das outras situações.
6.3 – Identificação dos perigos que se podem encontrar
6.3.1 – Insuficiência de oxigénio
Deve-se sempre considerar suspeito qualquer tanque/compartimento tenha estado fechado durante algum tempo. A insuficiência de oxigénio no espaço fechado pode resultar, entre outros motivos, de:
- processo de oxidação da chapa;
- utilização em caldeiras ou outros espaços de produtos químicos absorvedores de oxigénio;
- armazenamento de materiaissusceptíveis de consumir oxigénio (produtos vegetais que tenham entrado em decomposição ou fermentação, aparas de madeira, metais que tenham começado a enferrujar, etc.;
- utilização de gás inerte ou vapor (atenção aos tanques adjacentes).
Uma atmosfera tem insuficiência de oxigénio quando o seu volume nela contido é inferior a 21%.
6.3.2 – Toxicidade
Para além dos gases gerados pelas cargas dos navios tanques, existem outras fontes possíveis de geração de gases tóxicos:
- fugas provenientes de tambores que transportam produtos químicos;
- componentes do gás inerte utilizado a bordo;
- reacção de esgotos com a água do mar libertando gás sulfídrico;
- limpeza de tanques de carga, reparação da pintura ou repintura dos mesmos;
- acumulação de resíduos de produtos químicos;
Mesmo em quantidades muito pequenas, alguns gases tóxicos podem provocar a morte, pelo que é condição essencial analisar a atmosfera de um compartimento fechado antes da entrada.
A maior parte dos explosímetros portáteis não permitem a análise da explosividade e da toxicidade. Torna-se necessário a existência a bordo de meios que permitam medições de baixas concentrações de gases tóxicos ( ppm´s ). Os navios que tenham a bordo aparelhos Dragger, devem ter tubos / ampolas Dragger e para a respectiva carga da viagem em curso. Os navios que tenham a bordo aparelhos de outra marca devem ter tubos / ampolas correspondentes e para a respectiva carga da viagem em curso. Devem ter em consideração as usuais cargas efectuadas e os períodos de validade dos tubos que são curtos. A requisição poderá ser realizada através do serviço de compras e / ou agente local no porto de carga. Será necessário ter a bordo também o manual Dragger ou manual correspondente à marca.( escolha da diversidade e escalas adequadas dos tubos / ampolas ).
Os seguintes valores constantes das fichas de segurança dos produtos devem ser observados, sendo obrigatório o seu cumprimento:
Threshold Limit Value (TLV) – Valor limite que se refere às condições do ar ambiente e representa a concentrações de substâncias no ar sob as quais, acredita-se que a quase totalidade de trabalhadores possa ser repetidamente exposta, dia após dia sem efeito adverso. Existem três tipos de TLV:
- Time Weighted Average (TLV-TWA) – Média ponderada pelo tempo, refere-se à concentração média em tempo para um dia normal de trabalho (8 horas), usualmente expresso em partes por milhão (ppm)
- Short Term Exposure Limit (TLV-STEL) – Exposição de curta duração, refere-se à concentração média a que os trabalhadores podem estar expostos durante 15 minutos, que não pode ser excedido em nenhum momento, usualmente expresso em partes por milhão (ppm)
- Ceiling (TLV-C) – Valor tecto, refere-se à concentração que não pode ser excedida durante nenhum momento da exposição do trabalhador
6.3.3 – Explosividade
Mesmo depois de se ter procedido a uma lavagem e desgasificação de um tanque de carga, poderá suceder que se torne novamente perigoso devido a vários factores (aumento de temperatura, agitação de residuos, etc.). Os tanques de carga deverão ser sempre considerados suspeitos.
6.3.4 – Outros perigos
- remexer em resíduos de carga, qualquer que seja a sua origem (vegetal, animal ou mineral) pode dar origem à libertação de gases tóxicos ou inflamáveis;
- as quedas que podem ocorrer dentro de um qualquer compartimento, e que podem ter causas várias (fraca iluminação, pavimento escorregadio, objectos abandonados, etc.);
- absorção pela pele de alguns produtos químicos;
- contacto com a pele de produtos químicos que sejam irritantes ou corrosivos. Neste caso, deverá ser usado equipamento de protecção adequado.
6.4 – Preparação e protecção do espaço para entrada
Antes da entrada num espaço fechado:
- os Oficiais de serviço na ponte e na casa da máquina serão informados sempre que haja necessidade de entrada em qualquer tanque ou compartimento para que sejam tomem as medidas adequadas à situação:
- não paragem de determinadas ventilações (se aconselhável);
- não ligar certos equipamentos;
- não abertura de válvulas (de comando à distância) que possam comunicar com o compartimento em questão
Estas medidas serão acompanhadas da colocação de avisos nos respectivos equipamentos, alertando para o que está a ser realizado e o que não deve ser feito.
- o local será protegido e isolado contra a entrada acidental de quaisquer produtos (líquidos ou gasosos) pelo fecho das válvulas (amarrando-as se possível) ou quaisquer outras aberturas / encanamentos (pela colocação de tampas/juntas cegas):
- se necessário, o espaço será limpo ou lavado para remoção de quaisquer sedimentos que possam libertar gases perigosos;
- o espaço será abundantemente ventilado com os meios disponíveis, até estarem reunidas as condições de segurança da atmosfera. A ventilação manter-se-à durante todo o período de permanência no interior do compartimento.
6.5 – Testes antes da entrada
Deverão ser efectuados os seguintes testes:
- insuficiência de oxigénio;
- presença de gases tóxicos;
- presença de gases inflamáveis.
Os testes serão realizados unicamente por pessoas treinadas para o efeito, utilizando equipamentos de modelo aprovado, devidamente calibrados e seguindo as recomendações do fabricante.
Os testes realizar-se-ão antes da entrada e repetidos periodicamente durante todo o tempo que durar a operação.
Serão feitos sempre a vários níveis.
Na impossibilidade de realização dos testes no exterior do compartimento, um tripulante treinado no uso do equipamento de teste entrará no tanque equipado com um aparelho respiratório autónomo e, só depois de analisada a atmosfera é que entrarão os restantes tripulantes.
6.6 – Uso da “AUTORIZAÇÃO PARA ENTRADA EM ESPAÇOS FECHADOS”
A entrada em espaços fechados será sempre planeada e precedida do preenchimento da autorização acima mencionada.
Se durante a realização da operação surgir qualquer dificuldade ou perigo não previsto, a mesma será interrompida imediatamente e o pessoal retirado, efectuando-se nova avaliação da situação. Só após a situação estar novamente sob controlo e uma nova autorização ter sido preenchida, se recomeçará o trabalho interrompido.
O preenchimento da autorização poderá não ser respeitado apenas em situações de emergência e com o objectivo da salvação de vidas humanas.
6.7 – Procedimentos antes da entrada num compartimento
- informar os oficiais de serviço tanto na ponte como na casa da máquina da entrada de pessoal num tanque / compartimento;
- tomar todas as medidas necessárias para que a ventilação do espaço continue durante todo o tempo que durar a operação;
- quer os acessos quer o interior do espaço devem estar bem iluminados, com material aprovado para o espaço em questão;
- à entrada serão colocados equipamentos de emergência prontos a serem usados a qualquer momento – aparelhos autónomos de respiração, garrafas, linhas de segurança, lanternas aprovadas, ressuscitador, meios de evacuação, etc.
- será nomeada uma pessoa que ficará sempre junto da entrada e que coordenará as comunicações entre o interior e o exterior;
- serão acordados e bem compreendidos por ambas as partes, os meios de comunicação;
- dotar o tripulante que vai entrar no compartimento com um analizador pessoal capaz de monotorizar continuamente a percentagem de oxigénio e dos vapores de carga
- sempre que possível, será envergadoum arnêz de salvamento;
- o número de pessoas a entrar será limitado ao mínimo indispensável para a realização do trabalho e, tendo ainda em atenção, a necessidade de serem socorridas no caso de acidente;
- na eventualidade da entrada ter que ser realizada com aparelho autónomo de respiração, serão analisadas as implicações para:
- movimentação no espaço;
- eventual retirada de um acidentado.
- quando o navio estiver em porto e necessitar de executar trabalhos em espaços fechados, com pessoal estranho ao navio, a entrada do pessoal e a realização dos trabalhos só será permitida depois de aqueles terem sido considerados “gas free” e emitidos os respectivos certificados por técnico habilitado.
6.8 – Procedimentos durante a estadia num compartimento
- o tripulante está munido de um analisador pessoal (O2; Lie; e toxicidade)
- a ventilação do espaço não será interrompida enquanto durarem as operações, mesmo durante as interrupções (almoço, fumar, etc.);
- se houver uma paragem do sistema de ventilação ou uma redução do caudal, as operações serão imediatamente interrompidas e o pessoal abandonará o local, só recomeçando os trabalhos quando as condições de segurança estiverem repostas;
- a atmosfera do espaço será controlada periodicamente durante as operações e se ocorrer alguma variação às condições iniciais, as pessoas abandonarão imediatamente o local;
- se durante a operação surgir qualquer dificuldade ou perigo não previsto, aquela será imediatamente interrompida, o pessoal retirado, fazendo-se uma nova avaliação da situação;
- se qualquer pessoa dentro do compartimento se sentir indisposta, deverá imediatamente fazer o sinal previamente combinado com a pessoa que está de vigia à entrada, abandonando o local;
- em emergência, o alarme geral será accionado de imediato, para que a equipa que está envolvida nas operações e que irá fazer o resgate, tenha outro grupo a apoiá-la;
- em emergência, a pessoa colocada à entrada do compartimento nunca deverá tentar entrar sozinha no espaço, antes de terem chegado meios de auxílio adequados.
LISTA DE DISTRIBUIÇÃO
Navio / Direcções Técnica / Segurança / Operações / Pessoal /Segurança (Protecção) / Responsável Nomeado / Online
