Operações de soldadura e corte/Trabalhos a Quente
- OBJECTIVO
Descrição dos procedimentos referentes a operações de soldadura e corte / trabalhos a quente.
- ÂMBITO
Todos os navios
- EXCEPÇÕES
Nenhumas
- DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA
Code of safe working practices for merchant seamen
ISGOTT; VIQ
Ship Survey and Audit Companion
- RESPONSABILIDADE
A supervisão de operações de soldadura e corte é responsabilidade do Chefe de Máquinas, podendo aquelas ser executadas por pessoa por si nomeada e devidamente habilitada.
Se executadas fora da oficina da casa da máquina, estarão condicionadas a uma “AUTORIZAÇÃO PARA TRABALHO A QUENTE”, implicando o envolvimento do Oficial de Segurança do navio na sua emissão e consequente monitorização das condições durante a execução de todo o trabalho.
A supervisão de trabalhos de manutenção (incluíndo o uso de equipamento eléctrico, equipamento rotativo movido a ar, decapagem com areia ou grenalha, raspagem ou picagem mecânica, etc.) que estão também condicionados a uma “AUTORIZAÇÃO PARA TRABALHO A QUENTE” são da responsabilidade do respectivo Chefe de Secção
A existência desta autorização implica obrigatoriamente a informação prévia detalhada com indicação do número da autorização referente ao trabalho, via fax / telex, à Direcção de Segurança, e que pela mesma via tenha sido dada a sua concordância a essa realização nas condições sugeridas ou em outras propostas pela Direcção de Segurança e aceites pelo navio.
Só após o recebimento desta confirmação e de o Comandante assinar a “AUTORIZAÇÃO PARA TRABALHO A QUENTE” concordando que estão reunidas as condições para que o trabalho possa ser realizado com segurança, o trabalho poderá ser iniciado.
É da responsabilidade do Comandante a atribuição da numeração (nº / ano civil) da “AUTORIZAÇÃO PARA TRABALHO A QUENTE” Por este motivo deverá existir no seu camarote uma listagem actualizada das autorizações já emitidas.
Compete ao responsável pela supervisão do trabalho proceder ao arquivo das AUTORIZAÇÕES que lhe dizem respeito.
- DESCRIÇÃO
6.1 – Perigos a que fica sujeito o operador
Durante a operação de soldadura e corte, quer esta seja eléctrica ou a gás, o operador está sujeito a diversos perigos:
- fumos;
- gases e/ou vapores;
- radiações
Não deverão ser inalados os fumos, gases e vapores resultantes da soldadura, sobretudo se existirem restos de tintas ou plásticos.
É essencial que no local onde se realizam as operações seja mantida uma ventilação eficaz.
As radiações geradas podem ser visíveis (maior ou menor intensidade da luminosidade do arco) e invisíveis (ultravioletas e infravermelhos).
Podem resultar queimaduras do contacto com superfícies quentes, projecção de partículas incandescentes de metal ou escória, e radiações infravermelhas.
6.2 – Uso de equipamento protector
É obrigatório o uso de equipamentos de protecção individual para todos os elementos envolvidos na operação, mesma que não sejam os executantes directos.
O equipamento do operador é constituído por:
- capacete de soldar com protecção própria para os olhos ou, se ascircunstâncias o permitirem, óculos de soldar ou viseira manual;
- luvas de couro;
- avental de couro;
- fato de fibra natural à prova de calor com mangas compridas ou outro fato de protecção aprovado;
- calçado de borracha não condutor.
Os ajudantes utilizarão equipamento de protecção contra radiações (corpo e olhos) e queimaduras.
Os equipamentos a utilizar estarão sempre secos e limpos de substâncias inflamáveis.
6.3 – Precauções com as estações fixas, mangueiras e garrafas de gases comprimidos (oxigénio / acetileno)
- válvulas de não retorno de chama devem estar instaladas para o oxigénio e para o acetileno, quer da estação fixa de trabalho quer nas respectivas garrafas;
- também as mangueiras junto ao maçarico ou o próprio maçarico devem ter válvulas de não retorno de chama
- as garrafas de gases comprimidos deverão ser manuseadas com o maior cuidado quer estejam cheias ou vazias;
- deverão ser movimentadas em carros próprios;
- devem estar guardadas em locais adequados, não sujeitas a temperaturas elevadas. À entrada e no interior destes locais existirão avisos permanentes bem visíveis indicando “PROIBIDO FUMAR”;
- devem estar firmemente seguras e na posição vertical. O sistema de fixação deve ser de remoção fácil e rápida;
- as garrafas de oxigénio e acetileno terão de estar em compartimentos separados. Os compartimentos possuirão boa ventilação e não podem ter equipamentos eléctricos ou quaisquer outras fontes de ignição;
- as garrafas vazias estarão separadas das cheias e devidamente marcadas;
- as cápsulas de protecção da válvula devem estar colocadas (enroscadas) quando as garrafas não estiverem a ser usadas e durante o seu transporte;
- as válvulas devem ser mantidas fechadas mesmo que a garrafa se encontre vazia;
- as válvulas das garrafas, os controlos e dispositivos associados devem conservar-se limpos de óleo, massa e tintas, não devendo ser accionados por mãos sujas destes desses produtos;
- as garrafas nunca serão utilizadas sem que primeiro seja adaptado um redutor apropriado na válvula de saída;
- se em qualquer garrafa fôr detectada uma fuga que não seja eliminada pelo fecho da válvula de saída, ela será transportada e colocada num local seguro ao ar livre, onde será descarregada lentamente para a atmosfera.
6.4 – Precauções contra incêndios e/ou explosões
Sempre que possível, os trabalhos de soldadura e corte deverão ser executados dentro da oficina. Quando tal não for possível, o local onde o trabalho vai ser realizado será objecto de uma minuciosa inspecção para:
- verificação da não existência de quaisquer materiais inflamáveis;
- limpeza das zonas a serem tratadas;
- protecção da zona de trabalho (por exemplo, colocação de chapas não combustíveis;
- verificação da existência de aberturas através das quais possam passar faúlhas, que deverão ser fechadas ou resguardadas;
- preparação da ventilação do espaço.
Os compartimentos contíguos, quer se situem ao lado, em cima, ou por baixo do local de trabalho, serão igualmente inspeccionados, para garantia na não existência de materiais combustíveis (por exemplo, tintas), nem encanamentos ou cabos que possam ser afectados pelo calor.
Se os trabalhos vão ser realizados em tanques ou em outros espaços que contiveram substâncias inflamáveis, não poderão começar sem que:
- esses tanques, bem como os tanques adjacentes, sejam considerados isentos de gases (com emissão de certificado) e haja a certeza de que nenhum gás proveniente de qualquer outro compartimento poderá entrar neles. Durante a execução deverão ser efectuados periodicamente testes, bem como no reinício após interrupção;
- tenha sido emitida uma “AUTORIZAÇÃO PARA TRABALHO A QUENTE”;
- não exista nenhum material inflamável nos espaços adjacentes que possa vir a incendiar-se devido a transmissão de calor;
- não exista ferrugem impregnada de óleo ou de qualquer outra substância que possa libertar gases.
Como precaução adicional pode-se encher o espaço adjacente com água, (a água deve estar sempre pelo menos 50 cms acima da zona onde vamos dar calor), gás inerte ou cobri-lo com espuma. No caso de se utilizar água devemos ter em atenção que óleo ou resíduos oleosos podem flutuar à superfície.
Durante as operações de soldadura e corte existirão sempre acessíveis e em estado de prontidão, meios de combate a incêndio adequados ao tipo de trabalho que se está a realizar, bem como um vigia permanente no local, cuja função será a inspecção constante da área para detecção de qualquer início de incêndio.
Depois de terminado o trabalho, devem-se fazer verificações frequentes a essas zonas nas horas seguintes.
6.5 – Precauções com a soldadura eléctrica
- o equipamento eléctrico de soldadura será de tipo adequado e compatível com o sistema eléctrico de alimentação, funcionando ligado à fonte de corrente contínua com uma potência não superior a 70 V, com o mínimo de oscilação;
- quando não se dispõe de equipamento DC pode-se usar corrente AC, desde que haja um dispositivo redutor de voltagem para a limitar aos valores máximos de 25 V. Sempre que o equipamento for utilizado será verificado o funcionamento do dispositivo, que pode ser afectado pela humidade e pelo pó.
- será adoptado um sistema de “ida e volta” utilizando dois cabos a partir do equipamento de soldadura. O cabo de soldadura de retorno será firmente preso com grampos à peça em que se está a trabalhar;
- antes de pôr o aparelho de soldadura sob tensão deve-se fazer a ligação à terra;
- os cabos condutores e de retorno devem ter o menor comprimento possível e a secção adequada para evitar quedas de tensão na transmissão;
- os cabos serão sempre inspeccionados antes de serem utilizados. Se o isolamento estiver enfraquecido ou a condutibilidade reduzida não serão utilizados;
- os bornes da tomada de alimentação devem estar protegidos;
- o equipamento nunca deve ser deixado sob tensão. Sempre que haja uma interrupção do trabalho será desligado imediatamente;
- antes de o equipamento ser deslocado, deverá ser desligado, e só depois a mudança será realizada usando os meios que o aparelho dispõe para tal fim, nunca puxando pelos cabos de soldadura;
- o alicate porta – eléctrodos deve ter uma ligação perfeita ao cabo de soldadura e ser de tamanho adequado ao diâmetro dos eléctrodos;
- quando se trabalhar em locais húmidos ou bastante apertados deverão ser usados porta – eléctrodos especiais (completamente isolados);
- ao suspender um trabalho o porta – eléctrodos será sempre colocado num suporte isolado e nunca deixado abandonado de qualquer maneira;
- antes de retirar um eléctrodo já usado ou antes de colocar um novo eléctrodo o alicate será isolado da alimentação de corrente;
- após finalização do trabalho, ou sempre que este seja interrompido, o eléctrodo será retirado do alicate;
- as extremidades do eléctrodo quente serão lançadas para dentro de um recipiente próprio (nunca atiradas para o chão) e não serão mexidas com as mãos nuas;
- os eléctrodos sobressalentes devem ser conservados dentro da respectiva caixa e mantidos em local seco e fresco até ao momento de serem utilizados;
- deverá existir um dispositivo local ou qualquer outro meio para que se possa interromper rápidamente a corrente eléctrica do eléctrodo no caso do trabalhador entrar em dificuldades ou sempre que seja necessário isolar o alicate para a mudança dos eléctrodos;
- em espaços apertados, em que o operador esteja em contacto directo com a estrutura do navio ou possa vir a estabelecer esse contacto devido aos movimentos, arranjar-se-à protecção apropriada com material isolante e seco (por exemplo: tapetes ou tábuas);
- se o trabalho for realizado em condições de calor e humidade, o perigo de choque eléctrico aumenta para o soldador em virtude do suor do corpo e do vestuário húmido diminuirem muito a resistência do corpo. Neste caso o trabalho será imediatamente interrompido, só recomeçando quando se tiver atingido um nível de segurança adequado;
- nunca se realizará um trabalho de soldadura estando o operador dentro de água ou tendo uma qualquer parte do corpo imersa;
- enquanto decorrerem trabalhos de soldadura estará presente um tripulante que seja conhecedor dos perigos que o soldador corre. A esse tripulante competirá agir em caso de uma emergência. Se necessário, cortará imediatamente a corrente, soará o alarme e aplicará respiração artificial sem demora.
6.6 – Precauções com a soldadura ou corte a gás
- todo o equipamento a usar (maçaricos, válvulas de corte, reguladores de pressão, válvulas de retenção (não retorno de chama) devem ser de um tipo aprovado;
- a substituição de qualquer componente só se deve fazer usando peças originais e segundo as instruções do fabricante;
- apenas serão usadas mangueiras especialmente concebidas para estes fins as quais devem estar firmemente presas, às suas ligações, com braçadeiras metálicas;
- as ligações das mangueiras de oxigénio e acetileno devem estar concebidas de tal maneira que se torne impossível uma troca nas suas ligações;
- nunca começar o trabalho sem primeiro proceder a uma vistoria ao maçarico, às mangueiras e ao mano – redutor;
- verificar se a pressão do oxigénio a utilizar é suficientemente alta para evitar o retorno do acetileno à linha de oxigénio;
- o acetileno não deverá ser utilizado em trabalhos de soldadura a uma pressão superior a 1 atmosfera (leitura do manómetro), podendo explodir quando sob elevada pressão;
- os encanamentos de oxigénio e acetileno devem ter montados, próximo do queimador, válvulas de retenção, bem como um regulador de chama;
- se ocorrer um retorno de chama as válvulas das garrafas de oxigénio e acetileno serão fechadas imediatamente. A garrafa de acetileno será vistoriada e se for encontrada quente será imediatamente retirada para local seguro ao ar livre e arrefecida por imersão em água ou por lançamento de grandes quantidades de água, ao mesmo tempo que a válvula de saída é completamente aberta. Se esta operação não puder ser feita em segurança ponderar-se-à a hipótese de lançar a garrafa pela borda fora. Qualquer garrafa de acetileno que se suspeite estar sobreaquecida será manuseada com o maior do cuidado, evitando-se as pancadas e choques;
- quando houver recolha de chama, o maçarico e os manómetros devem ser completamente revistos;
- só se devem ligar garrafas de acetileno que tenham aproximadamente a mesma pressão;
- em instalações fixas as bocas de saída devem estar perfeitamente marcadas indicando o gás que contêm;
- as mangueiras deverão estar dispostas de modo a evitar que fiquem torcidas ou enroladas ou sejam pisadas, cortadas ou danificadas por objectos que se arrastam, faúlhas incandescentes, ou de qualquer outro modo. Um puxão repentino numa mangueira pode originar que o bico salte das mãos do operador, a garrafa caía ou se desfaça qualquer ligação. As mangueiras que se encontrem em zonas de passagem devem ser cobertas para evitar que se tropece nelas;
- para a detecção de fugas no equipamento apenas será usada água com sabão;
- para acender o maçarico não serão utilizados fósforos, isqueiros de uso pessoal, cigarros, lume improvisado nem tão pouco o calor da própria soldadura, mas única e exclusivamente o isqueiro próprio de faísca, tendo o cuidado de orientar o maçarico de forma a não atingir ninguém próximo;
- em locais apertados ou fechados, se ao tentar acender o maçarico o isqueiro de faísca falhar duas vezes, o local será arejado antes de voltar a tentar acender de novo o maçarico;
- no caso da abertura da ponta do bico de soldar se entupir, a mesma será limpa somente com ferramenta especialmente concebida para o efeito;
- não será usado qualquer tipo de óleo, gordura ou lubrificante em aparelhagem com chama, uma vez que este equipamento não necessita de ser lubrificado;
- sempre que o trabalho de soldadura ou corte tenha de ser interrompido por um período superior a 30 minutos, as válvulas das garrafas serão fechadas e a pressão do regulador descarregada;
- após o trabalho estar concluído, as válvulas de segurança das garrafas bem como as das condutas serão fechadas, e todo material não fixo utilizado no trabalho (mangueiras, bicos, etc.) serão retirados;
- o acetileno nunca deve entrar em contacto com cobre em válvulas ou em qualquer outro componente;
- o oxigénio nunca será usado para refrescar o corpo, fazer limpeza ao local ou sacudir o pó da roupa.
LISTA DE DISTRIBUIÇÃO
Navio / Direcções Técnica / Segurança / Operações / Pessoal /Segurança (Protecção) / Responsável Nomeado / Online
