2.03 Transmissões de emergência

Transmissões de emergência


 

1. – OBJECTIVO

Descrever os procedimentos relativos à transmissão de mensagens de emergência no âmbito do sistema GMDSS ( Global Maritime Distress and Safety System ).

2. – ÂMBITO

Todos os navios com estação GMDSS.

.

3. – EXCEPÇÕES

Nenhumas.

4. – DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA

– Manual for Use by the Maritime Mobile and Maritime Mobile-Satellite Services – ITU

– Internacional Aeronautical and Maritime Search and Rescue ( IAMSAR ), Vol.I;II;III

– Instruções do Serviço Radiotelefónico em Ondas Métricas e Hectométricas para a Navegação Local e Costeira Nacional

– Manual do curso GMDSS da E.N.I.D.H.

5. – RESPONSABILIDADE

O Comandante é o único responsável pela autorização do envio de mensagens de emergência.

O envio das mensagens de emergência caberá ao Oficial designado antecipadamente pelo Comandante para desempenhar essas funções, que estará habilitado para tal de acordo com a SOLAS e o STCW.

6. – DESCRIÇÃO

6.1 – Geral

Os procedimentos a seguir descritos referem-se a navios dotados de uma estação de GMDSS.

6.2 – Quais as principais funções do GMDSS ?

– Emitir alertas de socorro (navio-terra) com utilização de pelo menos, dois meios distintos e independentes usando, cada um, serviço de radiocomunicações diferentes.

– Receber alertas de socorro no sentido (terra-navio).

– Transmitir e receber alertas de socorro no sentido (navio-navio).

– Transmitir e receber comunicações de coordenação das operações de busca e salvamento.

– Transmitir e receber comunicações na área do acidente ( VHF´s portáteis ).

– Transmitir e receber sinais destinados à localização (SART).

– Transmitir e receber informações de segurança marítima ( Navtex HF ).

– Transmitir e receber radiocomunicações gerais (correspondência pública / rotina).

– Transmitir e receber comunicações ponte-a-ponte (navio-navio) ex: segurança ch 13.

6.2.1 – Qual o conceito básico do GMDSS ?

Emitir alertas de socorro que podem ser de 3 tipos:

– Navio-navio

– Navio-terra

– Terra-navio

– Transmitir e receber sinais destinados à localização (SART).

– Transmitir e receber informações de segurança marítima ( Navtex HF ).

– Transmitir e receber radiocomunicações gerais (correspondência pública / rotina).

– Transmitir e receber comunicações ponte-a-ponte (navio-navio) ex: segurança ch 13.

6.2.1 – Qual o conceito básico do GMDSS ?

Emitir alertas de socorro que podem ser de 3 tipos:

– Navio-navio

– Navio-terra

– Terra-navio


SOS / SES       CRS.      RCC       SAR          através/ trough DSC

SES- Estação terrena de navio / Ship earth station

CRS- Estação costeira de radiocomunicações / Coast radio station

RCC- Coordenação de busca e salvamento / Rescue coordination centre

SAR- Busca e salvamento (autoridades coordenadoras nacionais e locais) / Search and rescue (national and local co-ordination)

DSC- Chamada selectiva digital / Digital selective call

GMDSS { comunicações terrestres / terrestrial communications DSC / MF / HF / VHF ( Fonia / radiotelephony – Telex )

GMDSS { comunicações satélite / satellite communications – Inmarsat ( acionar 5” o botão e/ou enviar mensagem programada / set the button 5” and/or send programmed message )

GMDSS { comunicações satélite / satellite communications – Cospas/Sarsat ( Epirb´s )

O ALERTA DE SOCORRO POR VIA TERRESTRE É SEMPRE FEITO EM DSC
THE ASSISTANCE ALERT BY TERRESTRIAL MEAN IS ALWAYS PERFORMED IN DSC


6.2.2 – O que é o DSC ?

DSC significa, chamada selectiva digital, que é feita nas seguintes frequências:

VHF – Canal 70

MF – Frequência média ( 2187,5 Khz )

HF – Alta frequência ( 4207,5; 6312; 8414,5; 12577; 16804,5 Khz ).

6.2.3 – Para que serve o DSC ?

– Transmissão de alertas de socorro de navios.

– Transmissão dos recebidos de alertas de socorro.

– Retransmissão de alertas de socorro ( Relay ).

– Transmissão de anúncios de mensagens de urgência e segurança.

– Escuta contínua na frequência ou frequências de socorro.

6.2.4 – Em que consiste a chamada selectiva digital ?

– Num pacote de informação digital.

– Em quatro possiveis prioridades:

Socorro

Urgência

Segurança

Rotina

– No envio de mensagens endereçadas a todas as estações, a um grupo de estações ou apenas a uma estação.

( cada estação possui pelo menos 1 código de identificação de chamada selectiva com 9 algarismos designada MMSI – Maritime Mobile and selection – Call identity ).

6.2.5 – Áreas geográficas / Alertas de socorro

As áreas estão defenidas como:

A1 – até às 30 milhas

A2 – área fora da A1 até ao limite de 200 milhas

A3 – área excluída da área A1 e A2

A4 – área fora da A1; A2; A3 e dentro das áreas acima do paralelo 75º N e 75º S

Os navios navegando na área A1, transmitem os alertas navio-navio e navio-terra na frequência 156,525 ( canal 70 ) em VHF, pelo sistema DSC.

Navios navegando na área A2, transmitem o alerta navio-navio e navio-terra na frequência 2187,5 Khz.

Os navios navegando nas áreas A3 e A4, transmitem o alerta navio-navio na frequência 2187,5 Khz. O alerta navio-terra na área A3 é feito via satélite pela estação terrena do navio e / ou nas frequências de HF em DSC.

Na área A4, o alerta é sempre feito nas frequências de HF em DSC.

Consultar tabela do anexo B

OBS: As frequências de escuta/transmissão em DSC ( MF/HF ) são importantes conforme a hora do dia e posição geográfica do navio, bem como a época do ano.

6.2.6 – Transmissão do alerta de socorro em DSC

Consoante a área onde o navio se encontre, o alerta de socorro em DSC deve ser transmitido da seguinte forma:

– Sintonizar o transmissor para o canal de socorro em DSC.

– Se tiver tempo, deve ser introduzido na mensagem de socorro e de acordo com as instruções do fabricante do equipamento de DSC os seguintes elementos:

a) A causa do acidente.

b) A última posição conhecida do navio ( latitude e longitude ).

c) O tempo ( UTC ) de validação da última posição.

d) O tipo de comunicação escolhida para o tráfego de socorro ( radiotelefonia ou radiotelex ).

e) Transmitir o alerta de socorro em DSC

f) Preparar-se para o tráfego de socorro seguintes, sintonizando o emissor e receptor de rádio para o canal de socorro referente à mesma banda, enquanto se espera pela confirmação do recebido do alerta de socorro em DSC.

Exemplo:

alerta em 2187,5 Khz ( MF ) => 2182 Khz

alerta canal 70 ( VHF ) => canal 16

Este alerta será repetido automáticamente e aproximadamente todos os 4 minutos até que seja recebida a confirmação do recebido por outra estação ou quando seja desligado manualmente pela estação emissora.

6.2.7 – Tráfego de socorro

Quando receber a confirmação de recebido ao alerta de socorro em DSC, o navio em perigo deve iniciar o tráfego de socorro em radiotelefonia na frequência 2182 KHz em MF ou no canal 16 em VHF, da seguinte forma:

    • “ Mayday “
    • Aqui ( This is )
    • Os 9 dígitos de identificação e o indicativo de chamada ou outra identificação do navio
    • A posição do navio se não foi incluída na mensagem de socorro em DSC
    • A causa do acidente e a assitência requerida
    • Qualquer outra informação que possa facilitar a busca e o salvamento

6.2.8 – Comunicações de mensagens de urgência em DSC

Este tipo de transmissão deve ser efectuado em 2 partes:

  1. Anúncio da mensagem de urgência
  2. Transmissão da mensagem de urgência
Anúncio da mensagem de urgência

É feito pela transmissão da chamada de urgência no canal de socorro em DSC do seguinte modo:

– Sintonizar o transmissor no canal de socorro em DSC

– Introduzir ou seleccionar no teclado do equipamento

    1. Chamada a todos os navios ou os 9 dígitos de uma estação
    2. A categoria da chamada ( URGÊNCIA )
    3. A frequência ou o canal no qual vai ser transmitida a mensagem de urgência
    4. O tipo de comunicação no qual a mensagem de urgência pode ser dada ( radiotelefonia )

De acordo com as instruções do fabricante do equipamento DSC.

II) Transmissão da mensagem de urgência

– Sintonizar o transmissor na frequência ou no canal indicado na chamada de urgência em DSC

– Transmitir a mensagem de urgência do seguinte modo:

    1. “ PAN PAN “ repetido 3 vezes
    2. “ Chamada Geral “ ( All Stations ) ou estação chamada, repetido 3 vezes
    3. Aqui ( This is )
    4. Os 9 dígitos de identificação e o indicativo de chamada ou outra identificação do próprio navio
    5. O texto da mensagem de urgência

6.2.9 – Comunicações de mensagens de segurança em DSC

Este tipo de transmissão deve ser efectuado em 2 partes:

  1. Anúncio da mensagem de segurança

  2. Transmissão da mensagem de segurança

I. Anúncio da mensagem de segurança

O anúncio é feito pela transmissão da chamadade segurança no canal de socorro em DSC do seguinte modo:

– Sintonizar o transmissor no canal de socorro em DSC

– Seleccionar o formato de chamada apropriado no teclado do equipamento DSC ( todos os navios; área geográfica; chamada individual )

– Introduzir ou seleccionar nas teclas do equipamento DSC:

    1. A área especifica ou os 9 dígitos de 1 estação individual, se apropriado
    2. A categoria da chamada ( SEGURANÇA )
    3. A frequência ou o canal no qual vai ser transmitida a mensagem de segurança
    4. O tipo de comunicação no qual a mensagem de segurança pode ser fornecida ( radiotelefonia )

De acordo com as instruções do fabricante do equipamento DSC.

 

II. Transmissão da mensagem de segurança

– Sintonizar o transmissor na frequência ou no canal indicado na chamada de segurança em DSC

– Transmitir a mensagem de segurança do seguinte modo:

    1. “ SECURITE “ repetido 3 vezes
    2. “ Chamada Geral “ ( ALL Stations ) ou estação chamada, repetido 3 vezes
    3. Aqui ( This is )
    4. Os 9 dígitos de identificação e o indicativo de chamada ou outra identificação do próprio navio
    5. O texto da mensagem de segurança

Atenção:


Os navios que recebem 1 chamada de urgência / segurança em DSC, anunciando 1 mensagem de urgência / segurança, dirigida a todos os navios NÃO devem dar o recebido à chamada em DSC, mas sim sintonizar o receptor radiotelefónico na frequência indicada na chamada e escutar a mensagem de urgência / segurança.


A chamada selectiva digital paracorrespondência pública em MF utiliza canais nacionais ou internacionais separados. Nem estas frequências nem as frequências de chamada selectiva digital entre navios podem ser confundidas com as frequências de socorro. A utilização destas últimas para efeitos outros que não alerta de socorro ou anúncios de urgência / segurança, ocorre em penalizações graves.


Em zonas oceânicas recomenda-se:

Antes de efectuar a transmissão da mensagem deverá ter em atenção:

    • que a chamada é feita na frequência apropriada;
    • que a chamada de socorro deve ser feita com a potência máxima;
    • que deve escutar antes a frequência em que vai transmitir para se certificar de que não vai prejudicar nenhuma comunicação em curso e ser interferido

Durante a transmissão:

    • falar claro;
    • falar pausadamente e sempre com a mesma velocidade;
    • não gritar e separar bem as palavras;
    • procurar que as comunicações sejam curtas e precisas;
    • sempre que tenha de pronunciar letras ou grupos de letras isolados, ou então quando a comunicação é difícil, SOLETRE de acordo com a Tabela Internacional de Soletração de Letras e Algarismos (que se junta no final deste procedimento como Anexo A)

No final de cada chamada aguardar sempre um intervalo de cerca de 3 minutos, para que as estações que o ouviram tenham tempo de pôr os equipamentos “em cima” e responder, antes de chamar novamente.

6.3 – Composição da mensagem

Os elementos que devem compõr a mensagem são:

    • indicativo de chamada/nome do navio
    • posição;
    • natureza do perigo e tipo de assistência pedida;
    • qualquer outra informação relevante (ex.: rumo e velocidade se o navio tiver seguimento, intenções do Comandante, número de pessoas que abandonaram o navio, tipo de carga e se é perigosa)
    • Outras informações importantes:
    • condições meteorológicas locais (vento, mar, visibilidade);
    • hora de abandono do navio;
    • número de tripulantes que permanecem a bordo;
    • número de feridos graves;
    • número e tipo de embarcações salvavidas lançadas ao mar
    • meios de localização de emergência existentes nas embarcações salvavidas ou lançados ao mar.

Se as circunstâncias o permitirem, é preferível enviar uma série de mensagens curtas a uma ou duas mensagens longas.

Quando se solicitar assistência médica para um doente ou ferido será necessário incluir informação adicional:

    • nome, idade, sexo, nacionalidade e idioma do doente;
    • pulsação, respiração, temperatura e pressão arterial;
    • localização da dor;
    • natureza da doença ou ferimento incluindo a causa aparente e história relacionada;
    • sintomas gerais e particulares;
    • tipo, hora, constituição e quantidade de todos os medicamentos ministrados;
    • hora do último alimento ingerido;
    • capacidade do doente para comer, beber, caminhar ou mexer-se;
    • se o navio tem farmácia e se existe enfermeiro ou outra pessoa com conhecimentos médicos a bordo;
    • se o navio está dotado de área para operação com helicópteros
    • nome, morada e número de telefone do Agente;
    • último porto, próximo porto e ETA;
    • outras informações que se julguem necessárias.

A utilização do Código Internacional de Sinais, nomeadamente do Capítulo 3, poderá ser de muita utilidade especialmente quando é necessário ultrapassar barreiras linguísticas.

6.4 – Emissão com a finalidade de facilitar a radiolocalização

Sempre que haja a possibilidade de, logo a seguir à transmissão de uma mensagem de socorro, serem transmitidos sinais que possam permitir, quer ás estações costeiras quer a outros navios, a determinação de azimutes radiogoniométricos, isso deverá ser feito.

6.5 – Cancelamento da transmissão de socorro

Logo que as acções que deram origem à transmissão de uma mensagem de socorro já não sejam necessárias (acções de salvamento terminadas, buscas finalizadas) a mensagem de socorro será sempre cancelada.

6.6 – Treino

É importante que todas as mensagens de socorro sejam transmitidas o mais rápidamente possível e que todos os meios existentes a bordo destinados a assinalar a presença do navio sejam utilizados correctamente (sinais de fumo, paraquedas, fachos de mão, EPIRB’s, SART’s, V.H.F’s das baleeiras, emissor portátil das baleeiras).

O Comandante proporcionará ao maior número possível de tripulantes embarcados, um treino a bordo de modo a que se familiarizem com os diversos meios de segurança.

Junto aos equipamentos de radiotelefonia, radiotelegrafia e V.H.F’s estarão instruções resumidas do modo de operar os equipamentos numa emergência (incluindo a indicação das respectivas frequências).

 


SM_2.03-MdC.doc


LISTA DE DISTRIBUIÇÃO
Navio / Direcções Técnica / Segurança / Operações / Pessoal /Segurança (Protecção) / Responsável Nomeado / Online